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Escândalo em Roraima: Delegado é afastado após transformar delegacia em “balcão de negócios”

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Escândalo em Roraima: Delegado é afastado após transformar delegacia em “balcão de negócios”

Brasil – O cenário da segurança pública em Roraima sofreu um abalo sísmico nesta semana. O delegado da Polícia Civil, Rick da Silva e Silva, foi oficialmente afastado de suas funções por determinação judicial. A decisão do juiz Raimundo Anastácio Carvalho Dutra Filho impõe um hiato de 180 dias em sua carreira, fundamentada em denúncias gravíssimas que pintam um retrato sombrio da gestão na delegacia de Rorainópolis.

Segundo as investigações da Operação Conluio, o delegado não apenas falhou em cumprir a lei, mas teria transformado a unidade policial em uma espécie de empresa privada voltada ao lucro ilícito.

O Esquema do “Balcão de Negócios”

O cerne da investigação aponta para um conluio entre o delegado e uma advogada específica. O modus operandi era direto e lucrativo:

Direcionamento de Clientes: Rick selecionava presos e dificultava propositalmente o acesso destes à Defensoria Pública.

Venda de Liberdade: Os detidos eram encaminhados exclusivamente para a advogada parceira.

Divisão de Lucros: Os honorários pagos pelos clientes eram, supostamente, divididos entre o delegado e a defensora. Testemunhas confirmaram à polícia a existência de pagamentos realizados em dinheiro vivo.

A Sombra de um Duplo Homicídio

Para além da corrupção administrativa, Rick da Silva e Silva enfrenta uma acusação ainda mais estarrecedora: o possível envolvimento no assassinato dos empresários Edgar Silva Pereira (60 anos) e Rossana de Lima e Silva (49 anos).

As autoridades apuram se o delegado agiu para sabotar a cena do crime e ocultar provas fundamentais. O motivo seria uma perigosa ligação financeira: Rick teria dívidas ou negócios com uma das vítimas, que supostamente atuava no ramo da agiotagem.

“A permanência do delegado na função representa uma ameaça direta à instrução criminal”, afirmou o magistrado na decisão, destacando o risco de destruição de provas e intimidação de testemunhas.

Táticas de Intimidação e Coação

O dossiê da Operação Conluio, conduzida pelo Gaeco (MPRR) e pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH), revela que o delegado mantinha o esquema sob uma redoma de medo. Relatos indicam que ele usava o cargo para ameaçar colegas de profissão, prometendo fabricar dossiês e interceptações telefônicas falsas contra quem ousasse denunciá-lo.

Além disso, há indícios de que sistemas restritos da polícia eram manipulados para relaxar prisões em flagrante mediante propina e para “apagar” o rastro de investigações incômodas.

Medidas Restritivas

Com o afastamento válido até outubro de 2026, Rick da Silva e Silva sofreu sanções rigorosas:

Apreensão imediata de armas e distintivos.

Bloqueio total de acesso aos sistemas de dados policiais.

Proibição de manter contato com qualquer testemunha do caso.

Impedimento de entrar em qualquer delegacia do estado.

O caso segue sob segredo de justiça em etapas específicas, enquanto o Ministério Público aprofunda a análise dos materiais apreendidos durante a operação deflagrada em abril.


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