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“Culpa direta é do próprio Governador”, diz Maria do Carmo sobre policial baleado pelo CV durante comício de Roberto Cidade e Wilson Lima

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“Culpa direta é do próprio Governador”, diz Maria do Carmo sobre policial baleado pelo CV durante comício de Roberto Cidade e Wilson Lima

Manaus – A escalada da violência política e o domínio territorial de facções criminosas no Amazonas atingiram um ponto crítico na última quinta-feira (3). O ataque a tiros que feriu o capitão da Polícia Militar Israel Queiroz, durante um comício do União Brasil no bairro Novo Israel, zona Norte de Manaus, desencadeou uma crise que dominou a corrida eleitoral. No palanque do evento estavam o atual governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade, e o ex-governador e candidato ao Senado, Wilson Lima.

O atentado não foi uma surpresa, mas uma tragédia anunciada. Desde o dia 25 de agosto, circulava uma determinação atribuída ao Comando Vermelho (CV) proibindo atos de campanha nas periferias. A facção decretou uma “brecada”, proibindo a entrada em becos e vielas para qualquer apoio a Wilson Lima e seus aliados. Mesmo com a clara ameaça do poder paralelo, a campanha decidiu manter a agenda, colocando policiais militares na linha de frente em uma zona de conflito.

O ex-governador Wilson Lima foi às redes sociais tentar capitalizar o episódio, afirmando que o ataque seria uma retaliação do tráfico às apreensões de drogas de seus oito anos de mandato e acusando, sem citar nomes, uma adversária de “comemorar” a ação criminosa.

A resposta de Maria do Carmo veio em tom fulminante, desconstruindo a narrativa e apontando o dedo diretamente para o grupo político que comanda o Estado.

“O caos é obra de vocês”

Em um contundente vídeo resposta, Maria do Carmo rechaçou as acusações, chamou Wilson Lima de “irresponsável e leviano” e prometeu acioná-lo na Justiça. A candidata inverteu o jogo e colocou o ataque na conta da atual gestão de Roberto Cidade e do legado de Wilson Lima.

“Esse traficante de grupos criminosos, tanto desarmados quanto os de colarinho branco, domina o estado do Amazonas? Essa culpa é exclusivamente sua e do seu candidato ao governo [Roberto Cidade]”, cravou Maria do Carmo. “Sua, você, seu governo foi incompetente e o grupo político que agora você está junto com o Cidade também é incompetente e não consegue resolver um dos maiores problemas da nossa gente.”

Para críticos e membros das forças de segurança, ao ignorar o alerta do crime organizado e manter o comício, o governador e o ex-governador usaram a PM como escudo humano. Agentes, muitas vezes fora do horário de expediente fazendo a segurança de políticos, foram levados a uma área conflagrada para garantir o palanque eleitoral da dupla, sendo tratados como “descartáveis”.

Desgaste e isolamento eleitoral

Além de denunciar a falência da segurança pública, lembrando que as famílias amazonenses sofrem com áreas onde a circulação é ditada pelo tráfico, Maria do Carmo expôs o desconforto na aliança entre Cidade e Lima. Ela questionou o fato de o ex-governador ser “escondido” no horário eleitoral do atual mandatário.

“Antes de querer lacrar às minhas custas, você já se perguntou por que ele [Roberto Cidade] não coloca você no horário eleitoral dele? Será que é porque a sua rejeição afunda qualquer um que esteja por perto?”, provocou a candidata.

Ela também não deixou passar o passivo jurídico de Wilson Lima, relembrando o processo sobre as 14 mil mortes na pandemia de Covid-19 no Amazonas. Em tom de advertência sobre operações policiais, disparou: “Isso te deixa cada vez mais perto daquele momento que você tanto quer evitar. Seis horas da manhã e aí aquele pessoal de preto esperando do lado de fora da sua casa”.

Tolerância Zero

Prestando solidariedade imediata ao capitão Israel Queiroz, Maria do Carmo exigiu uma investigação “séria, profunda e rigorosa” sobre o crime e, também, sobre antigas denúncias envolvendo a Secretaria de Inteligência.

“Eu defendo tolerância zero para o crime. Quero investigação, quero a verdade, quero a justiça. Não vou baixar a cabeça. Podem tentar me intimidar, criar as narrativas que quiserem. Se tem uma coisa que eu tenho é muita coragem e fé”, finalizou.

O episódio escancara não apenas o avanço do Comando Vermelho sobre o território amazonense, mas o preço alto pago por trabalhadores da segurança pública quando projetos de poder se colocam acima da prudência e da vida de quem deveria ser protegido pelo próprio Estado.


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