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Chacina no AM: pistoleiros apontam herdeiro da família sócia do Pão de Açúcar como mandante de triplo homicídio em Lábrea; vídeo

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Chacina no AM: pistoleiros apontam herdeiro da família sócia do Pão de Açúcar como mandante de triplo homicídio em Lábrea; vídeo

Amazonas — Um violento conflito fundiário no interior do Amazonas ganhou repercussão nacional após os executores de um triplo homicídio apontarem integrantes da família Coelho Diniz — grupo empresarial mineiro com participação no Grupo Pão de Açúcar (GPA) — como os mandantes do crime.

A chacina ocorreu no dia 25 de abril deste ano no município de Lábrea, a 855 quilômetros da capital amazonense, e vitimou três pessoas, incluindo um adolescente de 14 anos. Os detalhes do inquérito e os depoimentos foram revelados originalmente em reportagem da Folha de S.Paulo.

A Dinâmica da Emboscada

O crime ocorreu em uma área de tensão agrária próxima à BR-317, na divisa entre Lábrea e Boca do Acre. Segundo as investigações, os atiradores aguardaram escondidos por horas em uma área de mata perto de uma ponte.

Quando o carro das vítimas se aproximou, foi alvejado por disparos de fuzil AR-15 e pistolas Taurus. O veículo perdeu o controle e caiu em um rio. As vítimas fatais foram:

  • Josias Albuquerque de Oliveira, 45 anos.

  • Antonio Renato Vieira de Souza, 32 anos.

  • Arthur Henrique, 14 anos (sobrinho de Josias).

O inquérito relata momentos de desespero: um quarto ocupante do veículo, que sobreviveu e ajudou a polícia a localizar os atiradores, afirmou ter ouvido o adolescente Arthur pedir ajuda enquanto tentava escapar nadando. O jovem foi atingido pelos disparos já na água.

A Linha de Investigação

Poucas horas após o ataque, a polícia prendeu dois suspeitos. Um deles, Lucas Pessoa dos Santos, de 26 anos, confessou o crime e indicou diretamente quem teria dado a ordem.

Lucas, que possui antecedentes por homicídio e trabalhava desde 2020 nas fazendas da família na região, afirmou em depoimento que a execução foi uma retaliação a supostas ameaças feitas pela família das vítimas. Ao ser questionado pelo investigador sobre quem ordenou o crime, a transcrição aponta:

Investigador: Quem era o mandante?

Lucas: O Moisés.

Investigador: Quem seria essa pessoa?

Lucas: Meu patrão. Moisés Diniz.

A ligação com a fazenda foi reforçada por uma prova material: a motocicleta apreendida com os atiradores está registrada em nome de Paulo Oliveira da Silva, administrador da empresa Agropecuária CD, de propriedade de Moisés Diniz. Paulo havia sido preso dez dias antes da chacina por porte ilegal de arma, sendo liberado logo em seguida.

Cronologia:

Prisão de Administrador
15 de abril de 2026

Paulo Oliveira, administrador da Agropecuária CD (de Moisés Diniz), é preso com arma ilegal e solto em audiência de custódia

A Chacina
25 de abril de 2026

Três vítimas são executadas em Lábrea. Pistoleiros são presos horas depois e Lucas Pessoa confessa, apontando Moisés Diniz como mandante.

Mudança de Versão
26 de abril de 2026

Durante audiência de custódia, Lucas recua da acusação e alega ter sofrido coação policial para citar o nome do patrão.

Inquérito Desmembrado
Junho de 2026

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) investiga os mandantes em processo separado.

A mudança de versão de Lucas durante a audiência de custódia chamou a atenção das autoridades. Ele foi orientado por seu advogado, Pedro Henrique Ramos de Moura — o mesmo profissional que defende Paulo Oliveira, o administrador da fazenda.

Quem é a Família Coelho Diniz

O clã Coelho Diniz possui forte influência econômica e política em Minas Gerais. Eles são donos de uma rede de supermercados com faturamento anual estimado em R$ 2,3 bilhões e detêm 24,9% das ações ordinárias do Grupo Pão de Açúcar (cabe ressaltar que não possuem parentesco com o empresário Abílio Diniz).

Na região de Lábrea, a família possui ao menos quatro propriedades e um histórico de autuações do Ibama por desmatamento ilegal, com multas que somam R$ 29 milhões.

A família também tem forte presença política. Moisés Diniz é filho do empresário Alex Sandro Coelho Diniz, filiado ao PL e atual suplente do senador Cleitinho (Republicanos-MG). Alex é frequentemente cotado para compor chapas majoritárias em Minas Gerais. Além dele, o deputado federal Hercílio Coelho Diniz (MDB-MG) é irmão de Alex.

O Outro Lado

  • Moisés Diniz: Em nota assinada pelo advogado Vinicius Soalheiro, Moisés negou “veementemente” qualquer envolvimento. Ele confirmou que Lucas era seu funcionário e sabia de sua prisão, mas alegou desconhecer a citação de seu nome e os conflitos na região. Afirmou ainda que não consta como investigado no inquérito e não responde a ações agrárias.

  • A Defesa dos Suspeitos: O advogado Pedro Henrique Ramos de Moura sustenta que houve coação policial para que os executores apontassem a família como mandante e declarou que se manifestará apenas nos autos do processo.

  • Grupo Pão de Açúcar (GPA): A empresa declarou que não comentará o caso.

  • Políticos Citados: O empresário Alex Diniz e o deputado federal Hercílio Coelho Diniz não responderam às tentativas de contato. O senador Cleitinho afirmou desconhecer o episódio.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que o inquérito sobre os executores corre separadamente de uma nova investigação, focada exclusivamente em identificar e processar os mandantes do triplo homicídio. Quase dois meses após o crime, os supostos mandantes ainda não haviam sido formalmente notificados.


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