Caso Orelha: polícia conclui que apenas um dos adolescentes agrediu cachorro
Brasil – A Polícia Civil de Santa Catarina entregou ao Ministério Público o inquérito que investigou a morte brutal do cão comunitário Orelha, mascote querido da Praia Brava, em Florianópolis. Após análise detalhada de mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de 24 testemunhas e laudos periciais, os investigadores concluíram que um único adolescente foi o autor direto das agressões que levaram à eutanásia do animal.
Orelha, um cão de aproximadamente 10 anos conhecido por sua personalidade dócil e pela convivência pacífica com moradores, turistas e comerciantes locais, foi atacado na madrugada de 4 de janeiro. Ele sofreu uma pancada contundente na cabeça – compatível com chute forte ou golpe com objeto rígido, como madeira ou garrafa –, segundo o laudo da Polícia Científica. Socorrido por populares, o animal não resistiu e morreu no dia seguinte.
A apuração descartou a participação de outros três adolescentes inicialmente suspeitos no caso de Orelha. O jovem apontado como responsável apresentou contradições nos depoimentos e omitiu informações relevantes, de acordo com o delegado Renan Balbino, responsável pela investigação conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA).
Imagens de monitoramento mostraram o adolescente saindo de um condomínio por volta das 5h25 e retornando cerca de 30 minutos depois, acompanhado de uma jovem – versão que diverge do que ele relatou inicialmente. A polícia também apreendeu roupas usadas na ocasião e identificou condutas suspeitas de familiares durante abordagem no aeroporto, incluindo tentativa de ocultar um boné. Três adultos, parentes dos investigados, foram indiciados por coação a testemunhas ao longo do processo.
A defesa do adolescente contestou as conclusões, afirmando que as provas são circunstanciais e divulgou vídeo que, segundo os advogados, mostraria Orelha caminhando normalmente por volta das 7h do dia 4 – horário posterior ao estimado para a agressão. A argumentação visa questionar a linha do tempo da polícia, mas o inquérito já foi encaminhado ao Judiciário, que decidirá sobre a internação provisória solicitada – medida equivalente à prisão preventiva no sistema adulto para menores.
Caso paralelo: tentativa de afogamento contra Caramelo
No mesmo inquérito, a polícia apurou maus-tratos contra outro cão comunitário da região, Caramelo. Quatro adolescentes foram responsabilizados por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos, incluindo tentativa de afogamento no mar. O animal escapou, foi resgatado e acabou adotado pelo delegado-geral Ulisses Gabriel. As condutas dos jovens nesse episódio também foram encaminhadas ao Ministério Público.
Devido ao envolvimento de adolescentes, o processo tramita em segredo de Justiça, com sigilo sobre nomes, idades e detalhes pessoais dos envolvidos, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O caso Orelha gerou comoção nacional, reacendendo debates sobre violência gratuita contra animais, empatia na juventude e a efetividade das leis de proteção animal. Enquanto a comunidade da Praia Brava lamenta a perda do mascote que circulava livremente há uma década, a expectativa agora é pela decisão judicial sobre as medidas socioeducativas.
A sociedade acompanha de perto os desdobramentos, na esperança de que o episódio sirva como alerta para coibir atos de crueldade semelhantes.


