Caso Gustavo: família protesta e pede punição para adolescente que matou namorado a facadas em Manaus
Manaus – Familiares e amigos do estudante Gustavo, de 17 anos, tomaram a avenida Nhamundá, no Centro de Manaus para cobrar justiça pela morte do adolescente, esfaqueado pela ex-namorada, de apenas 14 anos, no dia 30 de dezembro de 2025. O caso, que gerou comoção nas redes sociais e no bairro onde o jovem vivia, segue sob investigação da Polícia Civil do Amazonas.
A manifestação reuniu dezenas de pessoas com cartazes, gritos por justiça e cobranças diretas às autoridades. Para a família, a versão apresentada pela suspeita — que alegou legítima defesa — não corresponde aos fatos e tenta inverter os papéis do crime.
Segundo o boletim policial e relatos da família, Gustavo foi à casa da ex-namorada buscar um objeto pessoal quando foi atingido por um golpe de faca no abdômen. A agressão ocorreu por volta das 14h.
Em vez de acionar ajuda imediatamente, a adolescente teria trancado o jovem dentro da residência e o deixado agonizando, desfalecido e sangrando por horas, até que não conseguiu mais reagir.
Sem alternativa, a suspeita enviou mensagem a um amigo da vítima, relatando o ataque. A testemunha correu ao local e encontrou o adolescente pálido, fraco e sem conseguir falar.
O jovem foi levado ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, passou por cirurgia e resistiu por seis dias, mas morreu em 5 de janeiro.
Relação marcada por violência e ameaças, diz família
Durante o ato, a irmã do jovem contou que a relação era conturbada e marcada por agressões psicológicas e ameaças constantes.
“Ela já vinha dizendo que ia matar o meu irmão, que ia furar ele. E cumpriu. Meu irmão nunca reagiu, nunca bateu nela. Ele vivia com medo”, disse a irmã emocionada.
A mãe, Rita Cristina, condenou a frieza da suspeita e contestou a tese de legítima defesa.
“O que ela fez foi crueldade. Se ela tivesse pedido ajuda, meu filho estava vivo. Eu teria perdoado. Desse jeito, não tem perdão”, afirmou.
Amigos de Gustavo reforçaram que o adolescente era querido, estudioso e vivia sob constante controle da ex-namorada.
“A vítima é ele. Quem está enterrado é ele. Não vamos aceitar que tentem transformar o Gustavo em agressor”, protestou um colega.
Apreensão da suspeita e investigação
A adolescente foi apreendida na sexta-feira (9), enquanto tentava deixar Manaus pela rodovia AM-070.
O Ministério Público do Amazonas solicitou a internação provisória, e o mandado foi cumprido pela Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai).
Ela responderá por ato infracional análogo ao crime de homicídio e foi encaminhada à Unidade de Internação Provisória da capital.
Família quer rigor
Os parentes afirmam que só descansarão quando a investigação mostrar a verdade e a morte de Gustavo não for tratada como acidente ou autodefesa.
“Perdi meu filho de forma cruel. A gente vai lutar até o fim para que ele não seja esquecido”, finalizou a mãe.
O caso segue em apuração.


