Caso Benício: registro de técnica de enfermagem permanece ativo no Coren-AM mesmo após determinação judicial
Manaus – O cumprimento das medidas cautelares impostas aos profissionais de saúde investigados pela morte do menino Benício enfrenta um impasse administrativo. Uma consulta realizada nesta quinta-feira (5) ao portal do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM) mostra que o registro profissional da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia continua com o status “ativo”.
A situação afronta diretamente a decisão judicial expedida em dezembro de 2025 pelo juiz Fábio Olintho de Souza. Na ocasião, o magistrado determinou a suspensão do exercício profissional por 12 meses, tanto para a técnica quanto para a médica Juliana Brasil Santos, como medida de segurança durante o andamento das investigações.
Dois pesos, duas medidas?
A verificação expõe uma disparidade no cumprimento da ordem entre as classes profissionais. Enquanto o Conselho Regional de Medicina (CRM-AM) já atualizou seus registros — constando a médica como suspensa —, o órgão fiscalizador da enfermagem ainda não reflete a decisão judicial em seu sistema público. Na prática, o status “ativo” permitiria que a profissional continuasse a exercer suas funções legalmente em outras unidades de saúde.
Relembre o caso
A morte de Benício, ocorrida em 23 de novembro de 2025, chocou Manaus pela sucessão de supostos erros procedimentais. A criança, que deu entrada no Hospital Santa Júlia com um quadro de laringite, recebeu doses de adrenalina por via intravenosa — procedimento considerado inadequado para o caso e que teria desencadeado as paradas cardíacas fatais.
Segundo relatos da família à época, a aplicação foi questionada pelo pai da criança no momento do atendimento. A técnica teria afirmado que nunca havia realizado a administração daquele medicamento na veia, mas que seguiria a prescrição médica.
Além do afastamento das funções, a Justiça impôs outras restrições à liberdade das investigadas para garantir a integridade do processo e das testemunhas:
- Proibição de contato e aproximação (limite de 200 metros) com familiares da vítima;
- Vedação de saída da Região Metropolitana de Manaus sem aval judicial;
- Obrigação de comparecimento mensal em juízo.
Até o momento desta publicação, o Coren-AM não emitiu nota oficial explicando a demora na atualização do status da profissional em seu banco de dados.


