Caso Benício: perícia derruba tese de defesa de médica e conclui que não houve falhas no sistema do hospital
Manaus – A investigação sobre a morte de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ganhou um capítulo decisivo nesta quinta-feira (22). Um laudo do Instituto de Criminalística refutou a principal linha de defesa da médica Juliana Brasil, ao concluir que o sistema de prescrição do Hospital Santa Júlia não apresentou falhas técnicas ou trocas automáticas de dados durante o atendimento à criança, ocorrido em novembro de 2025.
A defesa sustentava que o registro de administração de adrenalina por via intravenosa, em vez de inalatória, teria sido fruto de um erro no software Tasy EMR. Contudo, o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), esclareceu que o sistema operava corretamente e que a seleção da via de administração é uma responsabilidade direta do profissional de saúde, sem interferência involuntária da máquina.
De acordo com os peritos, embora o software sugira a via intravenosa como padrão para o medicamento, a ferramenta permite a alteração manual para outras vias antes da confirmação final. Durante as simulações realizadas no hospital, a equipe técnica conseguiu realizar a troca para a via inalatória sem enfrentar bloqueios, erros de processamento ou qualquer instabilidade sistêmica.
O trabalho pericial foi minucioso, envolvendo cinco visitas técnicas à unidade hospitalar entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Foram analisados bancos de dados, logs de acesso e até vídeos das telas de operação. Em nenhum momento foi identificado qualquer registro de comportamento anômalo que pudesse corroborar a versão de uma falha automatizada no momento da prescrição.
Este laudo torna-se agora uma peça fundamental para o desfecho do inquérito policial que apura as responsabilidades pela morte do menino. A clareza dos dados técnicos reduz o espaço para interpretações sobre “erros de sistema” e foca a investigação na conduta humana durante os procedimentos médicos realizados na data do óbito.
Até o momento, a médica Juliana Brasil e uma técnica de enfermagem permanecem afastadas de suas atividades profissionais. Apesar dos avanços significativos na coleta de provas e na conclusão da perícia técnica, ainda não houve prisões relacionadas ao caso.


