Caso Aline Alencar: após mais de dois anos de impunidade, família mantém luta incansável por Justiça contra feminicídio em Coari

Amazonas – O terror de um crime brutal que chocou o município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus). Mais de dois anos e cinco meses se passaram desde a trágica noite de 13 de março de 2024, quando Aline da Silva Alencar, de apenas 27 anos, foi morta.
Aline foi vítima de feminicídio. Seu algoz, o ex-companheiro Marcos Lira dos Santos (40 anos na época do crime), com quem mantinha uma união estável há cinco anos, tentou esconder a atrocidade forjando um acidente. Segundo a versão inicial contada por Marcos à polícia, Aline teria caído acidentalmente de uma laje de aproximadamente 3,5 metros de altura e batido a cabeça. A mentira não resistiu à investigação.
A farsa desmascarada e a brutalidade do crime
As investigações da Polícia Civil e o laudo do exame cadavérico desmontaram a versão de Marcos. Aline não caiu. Ela foi brutalmente golpeada na cabeça. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), o crime ocorreu por volta das 19h30, na residência do casal, na rua Perimetral 2, bairro Naide Lins.
Motivado por ciúmes doentios — e inconformado com a decisão de Aline de planejar a separação e buscar um novo lugar para morar —, Marcos aproveitou-se da relação doméstica para atacá-la com intenção homicida, impossibilitando qualquer chance de defesa. A causa da morte: traumatismo craniano.
Os detalhes que emergiram das investigações são estarrecedores. Na casa, a perícia encontrou a arma do crime: uma barra de ferro contendo sangue e fios de cabelo da vítima. Mais trágico ainda é o fato de que a filha de Aline, fruto de um relacionamento anterior e que morava com o casal, ouviu os gritos desesperados da mãe pedindo socorro.
A dor da família e o deboche da impunidade
Apesar da gravidade dos fatos e das provas contundentes — que incluem depoimentos, laudos periciais e a denúncia do MP —, Marcos Lira dos Santos passou apenas três meses preso preventivamente, período em que, segundo a família da vítima, ainda desfrutou de regalias.
Em um desabafo recente e carregado de dor, Glenda, prima de Aline, expôs a revolta da família ao ver o assassino solto aguardando o julgamento por mais de dois anos. “Ele assassinou uma pessoa e hoje vive livremente. Passeia, viaja, anda pela cidade de moto, se relaciona e está atualmente com outra pessoa. Ele tá vivendo como se nada tivesse acontecido. A justiça está dando a entender que qualquer pessoa pode assassinar a outra e ficar livre”, desabafou Glenda, evidenciando o quão perigoso e negligente o sistema pode ser para as mulheres brasileiras.
A virada no caso e o clamor por justiça
A letargia judicial encontrou um freio na mobilização incansável da família e no apoio de frentes de defesa dos direitos da mulher. O caso passou a contar com o acompanhamento jurídico da advogada Dra. Adriane Magalhães, Procuradora Jurídica da Virada Feminina no AM e candidata a deputada estadual.
Liderando manifestações e cobrando celeridade, a atuação de Adriane foi fundamental para que o processo voltasse a tramitar com a urgência que a vida de Aline exigia. “Aline não é apenas mais um número nas estatísticas de violência contra a mulher. Aline tinha uma família, tinha sonhos, tinha uma história. Sua morte precisa ser esclarecida e julgada com todo o rigor da lei. Estaremos ao lado da família e acompanharemos esse processo até o fim. Justiça por Aline!”, declarou a advogada.
O feminicídio de Aline da Silva Alencar é um retrato doloroso de uma epidemia de violência de gênero que assola o Brasil. O julgamento popular não trará a jovem de volta à sua filha e à sua família, mas representa a única resposta aceitável para que a impunidade não seja a palavra final.
A sociedade amazonense agora observa e aguarda. Por Aline, pela sua filha que ouviu seus últimos gritos, e por todas as mulheres que têm o direito fundamental de viver sem medo: que a justiça seja, enfim, feita.


