Carrões, relógios de luxo, armas e até dólar: saiba o que a PF apreendeu na Operação ‘Dinastia do Lago’ em Manaus e Coari; veja vídeos
Amazonas – Deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (16), a Operação “Dinastia do Lago” da Polícia Federal revelou um cenário de verdadeira ostentação bancado por um suposto esquema de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro que sangrava os cofres públicos do município de Coari, no interior do Amazonas.
Com 29 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos em Manaus — incluindo condomínios de luxo como o Renascença, no bairro Dom Pedro — e em Coari, os agentes federais apreenderam uma verdadeira fortuna em bens móveis, artigos de grife, armamento e dinheiro vivo. A ofensiva, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), também determinou o afastamento de diversos servidores e do atual prefeito de Coari, Adail Pinheiro.
Confira o detalhamento de tudo o que foi confiscado pelas autoridades durante as diligências:
Fortuna em Espécie: Reais e Dólares
O volume de dinheiro vivo apreendido impressiona. Imagens da operação mostram mesas tomadas por dezenas de maços de cédulas de R$ 50 e R$ 100, muitos amarrados com elásticos ou organizados em caixas. O destaque, no entanto, fica por conta de espessos blocos de notas de R$ 200, ainda lacrados com as cintas originais de instituições bancárias, além de cintas do “Banco da Amazônia”.
A riqueza não se limitava à moeda nacional: peritos criminais federais foram flagrados contabilizando grossos maços de dólares americanos, compostos inteiramente por cédulas de US$ 100.
Joias de Grife e Relógios de Luxo
Nos endereços residenciais de alto padrão, a PF recolheu uma vasta coleção de artigos de luxo. Sobre as mesas de perícia, foram exibidos cerca de 20 relógios de marcas prestigiadas, a maioria com pulseiras de couro refinado. O acervo de joias em ouro maciço conta com colares grossos, dezenas de anéis, braceletes e brincos, muitos deles guardados cuidadosamente em estojos de veludo e nas inconfundíveis caixas azul-turquesa da grife internacional Tiffany & Co.

Frota de Veículos Premium
O pátio da Polícia Federal em Manaus virou uma vitrine de carros importados e utilitários caríssimos. Entre os veículos apreendidos nas garagens das mansões e em galpões, estão:
- Um Land Rover Range Rover Sport (branco com teto preto);
- Três Toyota Hilux SW4 (duas brancas e uma preta);
- Duas picapes Toyota Hilux (cabine dupla, cor chumbo/cinza escuro, tração 4×4);
- Um SUV off-road premium escuro (estilo Defender);
- Uma picape Chevrolet Montana cinza;
- Diversos SUVs e crossovers esportivos de alto valor comercial.
O Caso da Hilux no Galpão
Um dos desdobramentos mais curiosos da operação ocorreu em um galpão na rua Berlim, bairro Planalto, zona Centro-Oeste de Manaus. No local, a PF apreendeu uma Toyota Hilux cinza (placa TAA6G28) pertencente a Alcilene Garcia de Souza, Diretora de Intercâmbio Social da Associação dos Funcionários Fiscais do Estado do Amazonas (AFFEAM).
Antes da entrada dos agentes no galpão — que abriga as empresas Nale Construtora Ltda e H. L. Galvão Ltda, ambas de propriedade do empresário Heraldo Lima Galvão —, funcionários tentaram arrancar do veículo adesivos de propaganda eleitoral de candidatos a deputado federal e estadual ligados a Coari. O próprio local exibia bandeiras de Adail Filho e Emanoel Pinheiro.
Armamento
Além do luxo, a operação também apreendeu armas de fogo. O registro mostra uma pistola da marca Taurus, na cor preta, acomodada em um estojo de espuma customizado. A arma estava acompanhada de dois carregadores extras de fabricação italiana (MEC-GAR) e um kit de limpeza.

A Origem do Esquema
Segundo o inquérito da Polícia Federal, o fio da meada que culminou na “Dinastia do Lago” ocorreu em maio de 2025, quando três empresários foram flagrados transportando cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo de Manaus para Brasília. O grupo criminoso atuava no direcionamento de licitações na Prefeitura de Coari, utilizando manobras financeiras complexas para lavar ativos e pagar propinas.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, fraude à licitação, peculato, corrupção e lavagem de capitais. Todo o material eletrônico, como celulares e computadores recolhidos, passará por perícia para delimitar as responsabilidades e identificar outros possíveis envolvidos no desvio dos recursos públicos.

