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Brasil registra recorde de feminicídios em 2025

Brasil registra recorde de feminicídios em 2025

Brasil – O país registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde a criação da tipificação legal, em 2015, escancarando a persistente e alarmante escalada da violência de gênero no país. De acordo com dados consolidados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram contabilizados 1.470 casos ao longo do ano — uma média de quatro mulheres assassinadas por dia apenas por serem mulheres.

Esse número supera o recorde anterior, de 1.464 feminicídios em 2024, e representa um aumento de cerca de 175% em relação a 2015, quando ocorreram 535 registros. Em uma década, o total acumulado chega a 13.448 vítimas, equivalente a uma média anual de 1.345 mortes. A taxa nacional se manteve em 0,69 por 100 mil habitantes, estável nos últimos anos, mas os absolutos revelam uma tendência de crescimento contínuo, mesmo com a legislação mais rigorosa — incluindo a recente transformação do feminicídio em crime autônomo, com pena máxima elevada para 40 anos de prisão.

São Paulo continua liderando o ranking em números absolutos, com 233 casos em 2025, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Outros estados com volumes expressivos incluem Bahia (103), Paraná (87) e Pernambuco (83). Importante destacar que os dados ainda podem ser revisados para cima: Alagoas, Paraíba, Pernambuco e São Paulo não haviam enviado os registros completos de dezembro no momento da consolidação inicial, o que sugere que o total real pode ser ainda mais elevado.

Além dos feminicídios consumados, o ano registrou 3.702 tentativas — cerca de dez por dia —, reforçando que a violência letal é apenas a ponta mais visível de um problema estrutural. A maioria dos casos ocorre no âmbito doméstico ou familiar, frequentemente precedida por histórico de agressões físicas, psicológicas e controle possessivo, o que evidencia falhas na rede de proteção e na prevenção efetiva.

Apesar de avanços como a Lei Maria da Penha, as delegacias especializadas e campanhas de conscientização, os números indicam que medidas punitivas isoladas não têm sido suficientes para reverter o ciclo de violência. Especialistas apontam para a necessidade urgente de um pacto nacional amplo, que envolva educação desde a base escolar, fortalecimento das políticas públicas de gênero, ampliação de casas-abrigo, capacitação de profissionais de segurança e saúde, e enfrentamento cultural do machismo enraizado na sociedade.

O feminicídio não é um fenômeno isolado: é a expressão extrema de desigualdades de gênero que permeiam o cotidiano brasileiro. Enquanto o país contabiliza mais uma vítima a cada seis horas, a pergunta que permanece é: quantas mais mortes serão necessárias para que a resposta coletiva seja proporcional à gravidade da crise?

Com informações baseadas em dados oficiais do Sinesp/Ministério da Justiça e Segurança Pública.


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