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Asfixia no crime organizado: Polícia mira ‘banco do PCC’ e combate execuções em ‘tribunais do crime’

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Asfixia no crime organizado: Polícia mira ‘banco do PCC’ e combate execuções em ‘tribunais do crime’

Brasil – O Ministério Público de São Paulo deflagrou, nesta terça-feira (21), a Operação Janus para apurar a atuação de um grupo suspeito de movimentar recursos em benefício de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação também alcança pessoas que teriam participado de reuniões usadas pela facção para decidir conflitos internos e aplicar punições.

A Justiça autorizou o cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. Também foram determinadas medidas para impedir a movimentação de contas bancárias, imóveis, veículos e outros bens atribuídos aos investigados.

Segundo o Ministério Público, o grupo teria criado diferentes mecanismos para dificultar a identificação da origem e do destino do dinheiro. Entre as práticas investigadas estão a entrega de grandes quantias em espécie, a transformação desses valores em transferências bancárias e o uso de empresas ou contas pertencentes a terceiros.

A suspeita é de que essa estrutura servisse para introduzir recursos de origem ilícita no sistema financeiro e garantir suporte econômico a integrantes e colaboradores da organização criminosa.

Os investigadores agora buscam identificar quem recebia os valores, quais empresas teriam sido utilizadas e de que maneira o dinheiro circulava entre os envolvidos.

Reuniões para decidir conflitos

Outra frente da operação analisa os chamados “tribunais do crime”. Conforme a apuração, esses encontros seriam organizados para resolver disputas patrimoniais, julgar comportamentos e definir punições relacionadas a integrantes ou pessoas ligadas ao PCC.

O Ministério Público pretende esclarecer qual teria sido o papel de cada investigado nessas reuniões e se as decisões tomadas resultaram em ameaças, extorsões ou outros crimes.

Entre os principais nomes citados estão Alexandre Salles Brito, conhecido como “Buiu”; Leonardo Monteiro Moja, chamado de “Léo do Moinho” e apontado na investigação como liderança da facção; e o empresário Cléber Azevedo dos Santos.

Até a última atualização, não havia manifestação pública das defesas. Os investigados não possuem condenação definitiva relacionada aos fatos apurados nesta operação.

Documentos analisados durante a investigação também mencionam os coronéis da Polícia Militar Pereira Martins, José Augusto Coutinho e Patrício.

Os oficiais, porém, não são alvos dos mandados cumpridos nesta terça-feira e não foram formalmente denunciados ou acusados no caso. As referências aos nomes aparecem no material reunido durante a apuração, e qualquer eventual responsabilidade dependerá do avanço das investigações.

Justiça autoriza bloqueio milionário

Além das prisões e buscas, a Justiça permitiu o bloqueio de ativos financeiros que pode alcançar até R$ 10 milhões por investigado.

Também foram autorizadas a indisponibilidade de imóveis, restrições sobre veículos, sequestro de patrimônio e medidas contra empresas suspeitas de integrar o esquema financeiro.

O objetivo, segundo os investigadores, é evitar que os bens sejam transferidos, ocultados ou utilizados para manter as atividades sob investigação.

Material apreendido será analisado

A Operação Janus é um desdobramento de apurações anteriores sobre operadores financeiros ligados ao PCC. O nome faz referência à divindade romana associada a passagens e transições, em alusão ao suposto caminho do dinheiro vivo até o sistema bancário.

Documentos, celulares, computadores e registros financeiros recolhidos durante as buscas serão analisados pelo Ministério Público. O material poderá revelar novos envolvidos e ampliar o rastreamento dos recursos.

As investigações seguem em andamento, e outras diligências poderão ser realizadas conforme o conteúdo das provas apreendidas.


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