Advogado Robert Lincoln se retrata após confusão e desacato contra delegada Nathalia Thayse na Delegacia da Mulher; veja vídeo
Manaus – O advogado criminalista Robert Lincoln da Costa Areias gravou um vídeo de retratação na noite desta sexta-feira (30), após se envolver em uma confusão generalizada dentro da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), localizada no bairro Cidade de Deus, zona norte de Manaus. O episódio, que começou com uma discussão de trânsito, escalou para agressões verbais e luta corporal com policiais civis.
No vídeo, gravado nas dependências da delegacia, Robert Lincoln — que também se apresenta como membro da Comissão de Prerrogativas da OAB/AM — admite ter perdido o controle emocional durante o atendimento.
“Reconheço que eu me exaltei, tanto no dia 30 de janeiro, que é hoje, quanto no dia 29, que foi ontem”, declara o advogado na gravação. Ele afirma que o vídeo serve como “prova e retratação” para a delegada titular e para os servidores que se sentiram agredidos, ressaltando que a gravação foi feita “livre de qualquer coação física ou moral”.
A confusão teve início na sexta-feira (30), após um acidente de trânsito envolvendo o advogado e uma mulher não identificada. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram Robert Lincoln visivelmente alterado na rua, golpeando o veículo da condutora e fazendo gestos na cintura, simulando estar armado, enquanto um homem tenta contê-lo.
O caso foi levado à DECCM para registro de ocorrência. Segundo relatos de testemunhas, dentro da unidade policial, o advogado teria passado da condição de autor de suposta ameaça no trânsito para o confronto direto com a autoridade policial. Há relatos de que ele tentou interferir no trabalho dos agentes, proferindo ameaças à delegada de plantão e citando ligações com a cúpula da Polícia Civil. A tensão culminou em luta corporal entre Lincoln e os investigadores.
Em seu pedido de desculpas, o advogado tentou justificar a ida à delegacia: “Compareci três vezes aqui. E tive na data de hoje, sem ser intimado, na companhia dos meus filhos, pra tentar apaziguar a situação […] o que acabou descambando pra um atrito, pra uma confusão”.
Polícia Civil emite nota de repúdio
A Polícia Civil do Estado do Amazonas repudia a conduta desrespeitosa de um advogado investigado por descumprimento de medida protetiva contra sua ex-esposa, em episódio ocorrido nos dias 29 e 30 de janeiro de 2026, na
Delegacia da Mulher – Norte/Leste.
Após ter material desproporcional recusado nos autos, o advogado se exaltou dentro da unidade, perturbando o atendimento de vítimas em situação de vulnerabilidade. Em novo comparecimento, mesmo acompanhado por representantes da OAB, gravou vídeos em voz alta, desrespeitando o ambiente institucional e a privacidade das mulheres presentes. Diante da recusa em se retirar, foi necessario o apolo de policiais civis.
Seu filho foi autuado por lesão corporal e resistência ao investir contra um agente, e o advogado respondera por desacato e será investigado por calúnia, após divulgar alegações falsas de agressão, desmentidas por imagens internas e testemunhas.
A Polícia Civil reafirma o respeito ao exercício da advocacia, mas reitera que prerrogativas não se sobrepõem aos deveres de urbanidade, legalidade e respeito, especialmente em um espaço de acolhimento a mulheres vítimas de violência.
OAB aponta violência policial
Apesar da retratação pessoal de Robert Lincoln e do vídeo onde ele elogia a urbanidade dos policiais, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM) adotou um tom diferente. Em nota oficial, a Comissão de Prerrogativas repudiou a conduta dos policiais civis.
A instituição classificou a ação dos agentes como violenta e informou que pedirá o afastamento cautelar e a exoneração dos investigadores envolvidos, alegando abuso de autoridade. “A OAB/AM reafirma que não vai admitir qualquer violação às prerrogativas da advocacia”, diz a nota. O comunicado, no entanto, não abordou as imagens que mostram o advogado ameaçando a mulher durante a briga de trânsito.
Robert Lincoln não foi preso em flagrante e deixou a delegacia acompanhado pelo presidente da Comissão de Prerrogativas. Até o fechamento desta matéria, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) não havia emitido um posicionamento oficial sobre o estado de saúde dos servidores ou a versão da corporação sobre o confronto.




