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“A gente sai para trabalhar sem saber se volta” diz amigo de comerciante morto no São José, durante velório

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“A gente sai para trabalhar sem saber se volta” diz amigo de comerciante morto no São José, durante velório

MANAUS – A morte do comerciante Evilazio Alves da Silva, de 60 anos, continua provocando forte comoção entre moradores do bairro São José Operário, na Zona Leste de Manaus. Conhecido por décadas de trabalho no comércio local, ele construiu uma história marcada pela simplicidade, pelo respeito aos clientes e pela dedicação à família. O crime que interrompeu sua trajetória aconteceu durante um assalto ao mercadinho onde trabalhava e deixou a comunidade em estado de choque.

Desde que as imagens do crime começaram a circular, a sensação entre amigos e comerciantes da região é de indignação. Muitos relatam que o medo já faz parte da rotina de quem vive do próprio negócio. A cada abertura de porta, a cada cliente que entra no estabelecimento, existe a preocupação constante com a violência. Para quem convivia com Evilazio, a tragédia ultrapassa os números das estatísticas e ganha um rosto conhecido, alguém que fazia parte do dia a dia do bairro há muitos anos.

“Eu também trabalho com medo. A gente sai de casa sem saber se vai voltar”, desabafou um amigo da vítima durante o velório. A frase resume o sentimento compartilhado por dezenas de comerciantes que acompanharam a despedida. Para eles, o caso representa uma realidade cada vez mais presente em Manaus: trabalhadores que acordam cedo para garantir o sustento da família, mas que acabam expostos à ação de criminosos sem qualquer preocupação com a vida humana.

Clientes também lembram de Evilazio como um homem de fala mansa e sempre disposto a ajudar. Quem frequentava o mercadinho relata que era comum encontrá-lo atendendo pessoalmente os consumidores, conversando com moradores e mantendo uma relação próxima com a vizinhança. Algumas pessoas afirmam que compravam no local há anos justamente pela confiança construída ao longo do tempo. Horas antes do crime, a rotina seguia normalmente, sem que ninguém imaginasse o desfecho trágico que marcaria aquela comunidade.

A repercussão da morte se espalhou rapidamente pelas redes sociais. Mensagens de solidariedade e homenagens tomaram conta de grupos de moradores, onde amigos e conhecidos compartilharam lembranças do comerciante. Muitos destacaram sua dedicação ao trabalho e o carinho que demonstrava pela esposa e pelos familiares. Para quem o conhecia de perto, a perda deixa um vazio difícil de ser preenchido.

O velório reuniu parentes, amigos, clientes e moradores que fizeram questão de prestar a última homenagem. O clima era de profunda tristeza, mas também de revolta diante da violência que vitimou mais um trabalhador amazonense. Em meio às lágrimas, muitos cobravam justiça e uma resposta rápida das autoridades para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no crime.

Enquanto a investigação segue em andamento, a morte de Evilazio reacende um debate que preocupa milhares de comerciantes da capital. A sensação de insegurança cresce a cada novo caso registrado, especialmente entre aqueles que trabalham diretamente com atendimento ao público. Para muitos, o medo já deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina.

Agora, familiares e amigos tentam encontrar forças para lidar com a dor da despedida. O que permanece é a lembrança de um homem trabalhador, respeitado e querido pela comunidade, cuja vida foi interrompida de forma brutal. Em meio ao luto, fica também um questionamento que ecoa entre comerciantes e moradores da cidade: até quando trabalhadores continuarão saindo de casa sem a certeza de que conseguirão retornar para suas famílias?


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