Venezuela longe da liberdade: Delcy Rodríguez e grupos paramilitares aterrorizam a população; veja vídeo
Mundo – Em meio a um cenário de profunda instabilidade política, Delcy Rodríguez foi empossada como presidente interina da Venezuela nesta segunda-feira (5/1), dois dias após a operação militar estadounidense que resultou na captura do ditador e chefe do narcotráfico, Nicolás Maduro.
A cerimônia, realizada na Assembleia Nacional e conduzida por seu irmão, Jorge Rodríguez – presidente do Legislativo –, marca um momento histórico de transição forçada, mas cercado por controvérsias, repressão e rumores de divisões internas no chavismo.
Delcy Rodríguez, advogada de 56 anos e fiel aliada de Maduro desde os tempos de Hugo Chávez, assumiu o cargo conforme determina a Constituição venezuelana em caso de “falta absoluta” do presidente. Em seu discurso de posse, ela manteve um tom desafiador inicialmente, condenando a intervenção dos EUA como uma “agressão imperialista”, mas sinalizou abertura para uma “agenda cooperativa” com Washington.
As primeiras pessoas a cumprimentá-la foram os embaixadores da China, Rússia e Irã – aliados estratégicos do regime chavista –, reforçando a continuidade das relações com potências rivais dos Estados Unidos.A família Rodríguez tem raízes profundas na esquerda revolucionária venezuelana. Filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista e acusado de liderar o sequestro do empresário americano William Niehous em 1976 – mantido em cativeiro por mais de três anos até ser resgatado pela polícia –, Delcy cresceu marcada pela militância marxista. Seu pai morreu sob custódia policial naquele ano, em circunstâncias denunciadas como tortura pelo chavismo. Essa herança ideológica agora se reflete no comando conjunto do Executivo e Legislativo pelos irmãos Rodríguez.


O Terror dos “Coletivos”: Repressão Armada e Censura
Enquanto Delcy consolidava sua posição, relatos de repressão intensificaram-se nas ruas de Caracas. A estratégia de manutenção do poder em Caracas parece ter abandonado qualquer fachada democrática. Grupos paramilitares, conhecidos como “coletivos”, estão sendo mobilizados e armados pelo regime para intimidar a população civil. Segundo observadores locais, esses grupos atuam com “licença para matar”, operando à margem da lei para sufocar dissidências.
Paralelamente à violência nas ruas, a liberdade de imprensa sofre ataques severos. No dia da posse, pelo menos 14 jornalistas – incluindo profissionais estrangeiros – foram detidos durante a cobertura do evento na Assembleia Nacional e arredores, segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP). Os detidos tiveram celulares revistados, com acesso forçado a fotos, contatos e mensagens privadas. Embora a maioria tenha sido liberada posteriormente, o episódio reforça acusações de criminalização do jornalismo e violação de privacidade, em um padrão já documentado em anos anteriores.
Rumo a Eleições ou Mais Conflito Interno?
Fontes americanas, citadas pela Politico, indicam que Washington espera que Delcy Rodríguez eventualmente renuncie, reduza vendas de petróleo para rivais dos EUA (como China e Rússia) e promova eleições justas monitoradas internacionalmente. O presidente Donald Trump alternou elogios e ameaças, afirmando que os EUA “administram” temporariamente o país e alertando para consequências graves em caso de desobediência.
No entanto, divisões no alto escalão chavista ameaçam essa transição. Rumores apontam para um possível golpe interno liderado por Diosdado Cabello, ministro do Interior e figura influente nas forças de segurança, contra Delcy. Analistas destacam tensões entre o ala civil (representada pelos irmãos Rodríguez) e o setor militar (Cabello e Padrino López). Propostas de Delcy para negociações com os EUA seriam vistas com desconfiança pelos generais, que controlam aparatos repressivos e temem perda de poder.
A Venezuela permanece um “barril de pólvora”, com ruas vazias por medo de represálias, celebrações contidas e incertezas sobre o futuro. Enquanto aliados como Rússia, China e Irã condenam a intervenção americana, a oposição – liderada por figuras como María Corina Machado – observa à margem, aguardando sinais de democratização real.





