Venezuela anuncia libertação de presos políticos após captura de Maduro pelos EUA
Mundo – Em um anúncio surpreendente nesta quinta-feira (8/1), o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, declarou que o governo interino liderado por sua irmã, Delcy Rodríguez, iniciará a libertação de “um número importante” de presos políticos, incluindo venezuelanos e estrangeiros. A medida foi descrita como um “gesto unilateral” para promover a paz e a convivência nacional, em meio à crise desencadeada pela captura de Nicolás Maduro por forças estadounidenses no último dia 3 de janeiro.
Rodríguez, em coletiva de imprensa transmitida ao vivo, enfatizou que as excarcelaciones começaram imediatamente. “As instituições do Estado decidiram pela liberdade de um número significativo de pessoas venezuelanas e estrangeiras. Isso é um gesto do governo bolivariano em busca da paz, sem distinções políticas, religiosas ou sociais”, afirmou. Ele não especificou o número exato de beneficiados nem as nacionalidades envolvidas, mas fontes diplomáticas indicam que cidadãos de países como Espanha e Colômbia podem estar na lista.
Organizações de direitos humanos, como o Foro Penal e Justicia, Encuentro y Perdón, estimam que cerca de 800 a 900 presos políticos permanecem detidos no país, muitos acusados de “terrorismo” ou “incitação ao ódio” por participarem de protestos pós-eleitorais de 2024. Prisões infames como El Helicoide e Tocorón concentram a maioria desses casos.
A decisão vem dias após a operação militar estadounidense “Absolute Resolve”, que resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. Os dois foram transferidos para Nova York, onde enfrentam acusações federais de narcoterrorismo, tráfico de drogas e conspiração. Maduro se declarou inocente em audiência inicial, afirmando ser “prisioneiro de guerra”.
O presidente Donald Trump celebrou a ação como uma vitória contra o “narco-regime” e declarou que os EUA “administrarão” a Venezuela temporariamente, incluindo controle sobre vendas de petróleo – recurso vital para o país. Em entrevista ao The New York Times, Trump sugeriu que a supervisão americana poderia durar “anos”, enquanto o governo interino de Delcy Rodríguez busca diálogo para estabilizar a nação.
Apesar do anúncio de libertação, relatos indicam repressão contínua em algumas regiões, com detenções de cidadãos que celebraram publicamente a queda de Maduro. A oposição, liderada por María Corina Machado (no exílio), exige a liberdade total de todos os presos como condição para qualquer transição democrática.
A medida foi vista por analistas como uma concessão ao pressão de Washington, que exigiu gestos de abertura em troca de cooperação. Trump elogiou o governo interino por “fazer tudo o que consideramos necessário”, enquanto o Departamento de Estado monitora o cumprimento.
Na América Latina, líderes como o brasileiro Lula da Silva e o ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero foram agradecidos por Rodríguez por mediarem diálogos. Já a ONU e a União Europeia pedem transparência e respeito aos direitos humanos.
Esse gesto pode sinalizar o início de uma distensão, mas o futuro da Venezuela permanece incerto: entre a influência estadounidense sobre o petróleo e a resistência do chavismo remanente, o país navega por águas turbulentas em busca de estabilidade.


