Presidente do México reafirma soberania do país em ligação com Trump e descarta intervenção militar dos EUA contra cartéis
Mundo— A presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou nesta segunda-feira que manteve uma “muito produtiva” conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à crescente tensão bilateral provocada pelas ameaças americanas de ações militares diretas contra os cartéis de drogas em território mexicano.
A ligação ocorreu horas após dias de especulações intensas, iniciadas na semana passada quando Trump declarou em entrevista que os cartéis “comandam o México” e sinalizou o início de operações terrestres contra as organizações criminosas — uma retórica que ecoa a recente operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.
Em publicação nas redes sociais, Sheinbaum detalhou os temas abordados: segurança com pleno respeito às soberanias de ambos os países, redução do tráfico de drogas (com destaque para a queda de cerca de 50% no fluxo de fentanil rumo aos EUA nos últimos meses), comércio bilateral e investimentos. A presidente enfatizou que “a colaboração e a cooperação num contexto de respeito mútuo sempre produzem resultados”.
Durante a habitual coletiva de imprensa no Palácio Nacional, Sheinbaum foi ainda mais enfática: “O povo do México precisa saber, primeiro, que seu presidente jamais negociará soberania ou integridade territorial. Jamais. Segundo, que buscamos coordenação sem subordinação, como iguais. E terceiro, que isso é permanente”.
Segundo fontes próximas ao governo mexicano, Trump teria sugerido novamente o envio de tropas ou operações diretas dos EUA para combater os cartéis, proposta que Sheinbaum rejeitou categoricamente, afirmando que “não está em discussão”. A mandatária mexicana apresentou dados concretos sobre os avanços de sua administração, como o desmantelamento de laboratórios clandestinos e o reforço das ações de segurança nas fronteiras.
A conversa também contou com participação paralela de autoridades de ambos os lados: o chanceler mexicano Juan Ramón de la Fuente dialogou com o secretário de Estado americano Marco Rubio para acompanhar o Programa de Cooperação em Segurança de Fronteiras.
Analistas apontam que o diálogo representa uma tentativa de desarmar a escalada retórica de Trump, que nos últimos dias ampliou ameaças a outros países da América Latina, incluindo Cuba e Colômbia. Apesar do tom cordial relatado por Sheinbaum, o episódio reforça a delicada linha que o México tem mantido: cooperação intensa no combate ao narcotráfico, mas com limites intransponíveis à soberania nacional.
A relação bilateral segue sob observação atenta, especialmente com a proximidade da revisão do acordo comercial USMCA e a co-organização da Copa do Mundo de 2026 entre México, Estados Unidos e Canadá. Por enquanto, a mensagem de ambos os lados é clara: diálogo sim, intervenção não.


