Presidente do México afirma que cartéis não podem ser chamados de terroristas; veja vídeo
Brasil – Em meio à crescente tensão diplomática entre México e Estados Unidos, a presidente Claudia Sheinbaum voltou a se posicionar de forma contundente nesta terça-feira (13/1) contra a designação de cartéis de drogas mexicanos como organizações terroristas estrangeiras — medida adotada pelo governo de Donald Trump em fevereiro de 2025 e que continua gerando forte reação do lado mexicano.
Durante recente declaração (em contexto de sua conferência matutina e respostas a questionamentos sobre a relação bilateral), Sheinbaum enfatizou que tal classificação não encontra respaldo no ordenamento jurídico do México.
“É equivocado classificar os cartéis mexicanos como organizações terroristas. Nossa Constituição e nossas leis falam de terrorismo de outra forma”, afirmou a presidente. Veja vídeo:
Segundo ela, o conceito de terrorismo no marco legal mexicano está vinculado a ações direcionadas diretamente contra o Estado ou com motivações políticas específicas, e não à atuação da delinquência organizada, ainda que extremamente violenta, como ocorre com os grupos do narcotráfico.
A posição da mandatária ganha relevância no atual cenário de ameaças e declarações do presidente americano Donald Trump, que já mencionou publicamente a possibilidade de operações terrestres contra os cartéis em território mexicano — inclusive afirmando que essas organizações “mandam no México” e que os EUA precisariam “agir por terra”.
Sheinbaum tem rejeitado categoricamente qualquer intervenção militar estrangeira, defendendo a soberania nacional como princípio inegociável. Após as recentes ameaças de Trump (inclusive após ações militares americanas em outros países da região), a presidente instruiu o chanceler Juan Ramón de la Fuente a reforçar os canais de diálogo com o Departamento de Estado americano, buscando “fortalecer a coordenação” bilateral, mas sempre dentro do respeito mútuo e sem qualquer presença militar externa.
A estratégia mexicana passa por:
– Rejeição firme a qualquer tipo de intervenção unilateral
– Defesa da cooperação bilateral em segurança e investigação
– Ênfase em atacar as causas estruturais do narcotráfico
– Reforço de reformas constitucionais para blindar a soberania contra ações estrangeiras não autorizadas
A designação americana dos cartéis (como o de Sinaloa, Jalisco Nova Geração e outros) como grupos terroristas abriu caminho para maiores sanções financeiras e, segundo críticos no México, poderia servir de justificativa legal para ações mais agressivas — cenário que o governo de Sheinbaum considera inaceitável e contrário ao direito internacional.
A declaração da presidente reforça a linha adotada desde o início de seu mandato: combate ao crime organizado sim, mas com respeito à soberania, à legalidade mexicana e preferencialmente por meio de estratégias de inteligência, justiça e desenvolvimento social, em vez de militarização externa.
O tema segue como um dos principais pontos de atrito na relação México-EUA em 2026, especialmente diante da crise do fentanil e das mais de 100 mil mortes anuais por overdose nos Estados Unidos — problema que Washington atribui majoritariamente à produção e tráfico a partir do território mexicano.


