Petróleo volta a superar US$ 100 com guerras e temor de falta de abastecimento

Mundo – O agravamento dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia provocou uma forte alta nos preços internacionais do petróleo nesta semana. Algumas cargas comercializadas na Europa, na África e no Oriente Médio se aproximaram de US$ 110 por barril, diante da corrida de refinarias por fornecedores alternativos.
O barril do Brent, principal referência global, chegou a US$ 105,70 na quinta-feira (23), maior nível desde o fim de maio. Foi a primeira vez desde o início de junho que a cotação ultrapassou novamente a marca de US$ 100.
A valorização também elevou o preço do petróleo Forties, produzido no Mar do Norte, para US$ 108,77 por barril nesta sexta-feira (24).
Ataques no Mar Vermelho alteram rotas

A pressão sobre o mercado aumentou após ataques dos houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, contra petroleiros no Mar Vermelho. O risco à navegação levou parte das cargas sauditas a abandonar a rota tradicional e seguir por trajetos mais longos ao redor da África.
O cenário se agravou com o colapso de um entendimento preliminar entre Estados Unidos e Irã e com novas dificuldades para o escoamento de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de energia.
Com as incertezas, refinarias passaram a buscar cargas disponíveis em outras regiões para evitar problemas no abastecimento.
Produção do Cazaquistão cai pela metade
Além da crise no Oriente Médio, o mercado foi afetado pela redução da produção no Cazaquistão. Supostos ataques com drones ucranianos forçaram a interrupção das operações no principal terminal de exportação do petróleo CPC Blend, no Mar Negro.
Segundo informações do setor, a produção cazaque caiu para aproximadamente 406 mil barris por dia, o equivalente à metade do volume anterior.
A interrupção reduziu ainda mais a oferta disponível em um momento de forte procura por petróleo fora das áreas de conflito.
Arábia Saudita oferece cargas pelo Mediterrâneo
Diante das dificuldades no Mar Vermelho, a Saudi Aramco passou a oferecer volumes adicionais com embarque pelo porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo.
Refinarias asiáticas demonstraram interesse nas cargas, embora o novo percurso represente uma viagem quase um mês mais longa quando comparado à rota habitual pelo estreito de Bab el-Mandeb.
A SK Energy, maior refinaria da Coreia do Sul, teria contratado um superpetroleiro para transportar 2 milhões de barris do Egito até Ulsan, com frete estimado em US$ 18,5 milhões.
Empresas do Japão e da Coreia do Sul também buscam petróleo produzido na Bacia do Atlântico, ampliando a disputa por cargas disponíveis.
A combinação de menor oferta, aumento dos custos de transporte e risco de novas interrupções mantém o mercado sob pressão. Caso os conflitos se intensifiquem, os preços podem continuar elevados e produzir impactos nos combustíveis, na inflação e nos custos logísticos em diferentes países.


