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‘Ouro de Maduro’: governo da Venezuela enviou US$ 5,2 bilhões à Suíça antes de ditador ser capturado

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‘Ouro de Maduro’: governo da Venezuela enviou US$ 5,2 bilhões à Suíça antes de ditador ser capturado

Mundo – A captura dramática de Nicolás Maduro por forças especiais americanas em Caracas, no dia 3 de janeiro de 2026, continua a repercutir pelo mundo. Enquanto o ex-presidente enfrenta acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas em um tribunal de Nova York — onde se declarou inocente e afirmou ainda ser o “presidente legítimo” da Venezuela —, novos detalhes sobre a gestão de suas reservas nacionais vêm à tona.

Dados alfandegários suíços, analisados pela agência Reuters e divulgados pela emissora pública SRF, mostram que a Venezuela enviou 113 toneladas métricas de ouro, avaliadas em cerca de 4,14 bilhões de francos suíços (equivalentes a US$ 5,2 bilhões na cotação atual), para a Suíça entre 2013 e 2016. Esse período coincide exatamente com os primeiros anos do governo Maduro, que assumiu o poder após a morte de Hugo Chávez.

O ouro provenha diretamente das reservas do Banco Central da Venezuela (BCV) e era destinado ao refino em uma das maiores hubs mundiais do metal precioso — a Suíça abriga cinco das principais refinarias globais. Analistas apontam que essas transferências serviram para obter liquidez em moeda forte, em meio à crise econômica que já se agravava no país, com hiperinflação e escassez de divisas.

“Houve uma grande venda forçada pelo Banco Central venezuelano entre 2012 e 2016. Grande parte disso deve ter chegado à Suíça”, explicou Rhona O’Connell, analista da StoneX, em entrevista à Reuters. Após o refino, o ouro refinado poderia ser vendido em barras menores para mercados na Ásia ou outras regiões.

As exportações caíram abruptamente para zero a partir de 2017, coincidindo com a imposição de sanções pela União Europeia e, posteriormente, pelos Estados Unidos, que visavam indivíduos acusados de violações de direitos humanos e corrupção. “Provavelmente o BCV simplesmente ficou sem ouro para vender”, completou O’Connell.

Coincidentemente — ou não —, logo após a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, a Suíça anunciou o congelamento de ativos do ex-líder e de 36 associados próximos. As autoridades helvéticas não revelaram o valor ou a origem exata desses bens, mas especula-se se há alguma conexão com as transferências de ouro da década passada. Fontes diplomáticas afirmam que não há evidências diretas de ligação, mas investigações podem aprofundar o tema.

A operação americana que depôs Maduro, batizada internamente de “Absolute Resolve”, marcou um precedente histórico: a remoção forçada de um chefe de Estado por forças estrangeiras, comparada por alguns analistas à invasão do Panamá em 1989 para capturar Manuel Noriega. Com Delcy Rodríguez assumindo interinamente a presidência em Caracas, o futuro das reservas venezuelanas — incluindo ouro remanescente e vastas jazidas inexploradas — torna-se ainda mais incerto.

Enquanto Maduro permanece detido em Nova York, aguardando julgamento marcado para março, o episódio do “ouro suíço” reforça as acusações de que o regime chavista usou recursos nacionais para sustentar uma estrutura de poder marcada por corrupção e alianças controversas. Para muitos venezuelanos exilados, é mais uma prova de que a riqueza do país foi dissipada longe das necessidades da população.


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