Onda de calor faz vítimas na França e autoridades temem agravamento da crise

Mundo – A onda de calor que atinge a França provocou um aumento acentuado nas chamadas aos serviços de emergência médica, com relatos de mal-estar, ansiedade e pedidos de orientação. Os hospitais do país se preparam para uma provável alta na demanda por atendimento nos prontos-socorros nos próximos dias.
Em entrevista à rádio pública Ici, nesta segunda-feira (22), a ministra francesa da Saúde, Stéphanie Rist, afirmou que as chamadas para a linha de emergência aumentaram entre 20% e 30%, dependendo da região. Ela ressaltou, porém, que nem todas as ligações resultam em hospitalização, mas apenas em orientação aos pacientes ou no envio de equipes médicas móveis.
“Continuamos vigilantes porque sabemos que o impacto da onda de calor tende a ser sentido entre cinco e dez dias após o seu início. Esta é a semana em que realmente precisamos ter muito cuidado”, acrescentou.
Apesar do aumento significativo no volume de chamadas, o sistema Samu-SAS serviço integrado de acesso à saúde que reúne especialistas em emergências e médicos da atenção básica tem conseguido administrar a situação e “proteger os prontos-socorros”, limitando a entrada de pacientes àqueles que necessitam de atendimento hospitalar urgente e inadiável, segundo o professor Louis Soulat, chefe dos serviços de emergência de Rennes e membro da diretoria do sindicato Samu-Urgences de France (SUDF).
Até esta segunda-feira, os serviços de emergência hospitalar ainda não haviam registrado “um aumento significativo no atendimento de pessoas com mais de 75 anos”, observou Soulat. No entanto, os profissionais de saúde acreditam que o risco de uma sobrecarga nos prontos-socorros aumentará nos próximos dias.
“No início, o organismo resiste”, explicou o especialista. Mas, provavelmente a partir de terça ou quarta-feira, “haverá mais casos de descompensação psiquiátrica, complicações relacionadas ao diabetes, insuficiência cardíaca e insuficiência renal”. Soulat também demonstrou preocupação com o aumento dos casos de afogamento.
Na região de Paris, a Assistência Pública-Hospitais de Paris (AP-HP), que administra os hospitais públicos da capital francesa, informou que seus serviços de emergência estão “organizados e mobilizados para receber pacientes”.
Recordes de altas temperaturas
A preocupação das autoridades se intensificou após a França registrar, nesta segunda-feira, a maior temperatura média já observada para um mês de junho: 29,2°C, segundo os serviços meteorológicos do país.
Recordes históricos de calor também foram registrados em diversas cidades, especialmente no oeste da França. Em Rennes, Angers e Bordeaux, os termômetros ultrapassaram os 40°C, informou a agência meteorológica Météo-France.
Na tarde de segunda-feira, duas crianças, de 2 e 4 anos, foram encontradas mortas dentro do carro da família em um estacionamento residencial na cidade de Carpentras, no sul do país. “A causa da morte ainda não foi determinada, mas a onda de calor é a principal hipótese”, afirmou a promotora local, Hélène Mourges.
As altas temperaturas também contribuíram para um aumento de mortes indiretas. Segundo as autoridades de proteção civil, 13 pessoas morreram afogadas na França durante o fim de semana.
De acordo com um levantamento da AFP, baseado em estimativas populacionais e no mais recente boletim da Météo-France, cerca de 38,8 milhões de pessoas vivem nos 54 departamentos colocados em alerta vermelho para onda de calor nesta terça-feira (23). Mais de 90% da população francesa estará sob alertas laranja ou vermelho.
Um estudo científico divulgado na segunda-feira concluiu que a intensa onda de calor que afeta a França e outras partes da Europa foi “significativamente agravada pelas mudanças climáticas causadas pela atividade humana”. Segundo os pesquisadores, sem esse fator, as temperaturas atuais seriam entre 2°C e 4°C mais baixas.








