Obama pressiona Arábia Saudita a ajudar Iraque e conter Estado Islâmico
RIAD — Durante uma visita marcada por uma fria recepção e tensões nas relações entre os dois países, o presidente dos EUA, Barack Obama, pressionou nesta quarta-feira a Arábia Saudita e países do Golfo Pérsico a fazerem mais para deter o Estado Islâmico e ajudar a reconstrução do Iraque. Ao desembarcar em Riad, Obama não foi saudado com os tradicionais beijos no rosto como seu antecessor, George W. Bush, tampouco a chegada foi transmitida pela TV. Em vez de ser saudado por um integrante do governo, coube ao governador de Raid receber o presidente americano no aeroporto. Mais cedo, o rei Salman havia recebido líderes do Golfo na pista de pouso.
Obama se encontrou com o rei, enquanto o secretário de Defesa, Ash Carter, pedia aos representantes das outras nações do Golfo reunidos no país mais apoio econômico e político ao Iraque. Os líderes reunidos, no entanto, dizem que gostariam de observar antes mais avanços do governo iraquiano, de maioria xiita, em relação aos sunitas no país.
— O que gostaríamos, e o que discutimos hoje, é que façam mais — disse Carter.
A visita acontece num momento em que as relações dos EUA com os aliados estão estremecidas, particularmente com a Arábia Saudita, que se opõe ao acordo nuclear com o Irã. Os dois países enfrentam ainda diferenças sobre os conflitos em Síria e Iêmen.
Esta é a quarta visita de Obama, e provavelmente sua última como presidente. Ele desembarcou com a esperança de reafirmar o compromisso de Washington com a segurança dos sauditas e de outros aliados do Golfo e de encontrar formas de reduzir as rixas sectárias na região.
O Conselho de Cooperação do Golfo reúne Arábia Saudita, Kuweit, Catar, Barein, Emirados Árabes Unidos e Omã, governados em sua maioria por monarquias muçulmanas sunitas, com exceção do último. Eles veem o Irã, xiita, como uma ameaça à sua segurança e afirmam que seu envolvimento no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen alimentou conflitos e aprofundou as divisões sectárias.
Essa tensão veio à tona novamente nesta quarta-feira, quando o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamanei, criticou as tentativas de Riad de isolar seu aliado, o movimento libanês Hezbollah, em uma série de tuítes incendiários.
— O Hezbollah está brilhando no mundo muçulmano. Não importa se um governo corrupto, dependente e oco, com o uso de petrodólares, o rejeita em um comentário. Ao diabo com isso — escreveu.




