Noruega estuda restringir óculos inteligentes por riscos à privacidade em espaços públicos

Mundo – O governo da Noruega anunciou nesta terça-feira (25) que pretende endurecer as regras para o uso de óculos inteligentes e dispositivos semelhantes, diante das preocupações crescentes com privacidade, monitoramento e reconhecimento facial em espaços públicos.
Entre as medidas em análise está a possibilidade de proibir funções de reconhecimento facial quando esses equipamentos forem utilizados em locais públicos. A preocupação das autoridades é impedir que pessoas sejam identificadas, filmadas ou monitoradas sem conhecimento ou consentimento.
Os óculos inteligentes já oferecem recursos como gravação de vídeos, captura de fotos, reprodução de músicas, atendimento de chamadas, tradução de placas, projeção de informações no campo de visão e integração com assistentes de inteligência artificial.
Segundo a ministra da Digitalização, Karianne Tung, o avanço dessas tecnologias tem colocado a vida privada e a intimidade das pessoas sob pressão. Por isso, o governo pretende avaliar regras mais rígidas para equipamentos que combinem câmeras, microfones e inteligência artificial em objetos de uso cotidiano.
A ministra também anunciou que um grupo de especialistas deverá ser criado para orientar o governo sobre formas de proteger melhor os consumidores diante dessas novas tecnologias.
A discussão não se limita aos óculos. O governo norueguês demonstra preocupação com a incorporação de câmeras e microfones a fones de ouvido, bonés e outros acessórios capazes de realizar registros praticamente sem chamar atenção.
Representantes do Conselho Norueguês do Consumidor apoiaram a iniciativa e chegaram a defender que comerciantes suspendam temporariamente a venda de óculos inteligentes até que existam regras jurídicas mais claras sobre seu uso.
O debate na Noruega reforça uma preocupação internacional cada vez maior: até onde a inovação tecnológica pode avançar sem transformar espaços públicos em ambientes de vigilância permanente.


