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Mundo em alerta: além de matar até 75% das pessoas infectadas, vírus Nipah não tem cura

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Mundo em alerta: além de matar até 75% das pessoas infectadas, vírus Nipah não tem cura

Mundo – O vírus Nipah, um dos patógenos mais temidos pela comunidade científica global, voltou a acender alertas em 2026 com a confirmação de casos recentes na Índia. Além de matar até 75% das pessoas infectadas, o vírus Nipah não tem cura, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS), que o classifica como prioridade máxima para pesquisa e desenvolvimento de contramedidas.

O patógeno, pertencente à família Paramyxoviridae e ao gênero Henipavirus, é zoonótico: seu reservatório natural são morcegos frugívoros (do gênero Pteropus), conhecidos popularmente como raposas-voadoras. A transmissão para humanos ocorre principalmente por contato com fluidos contaminados desses animais — como saliva ou urina em frutas mordidas —, por consumo de produtos derivados (como seiva de palmeira contaminada em regiões como Bangladesh) ou, de forma mais preocupante, por transmissão pessoa a pessoa em contato próximo com secreções de infectados.

Desde sua identificação em 1998, durante um surto na Malásia que afetou principalmente criadores de porcos, o Nipah causou surtos esporádicos na Ásia. Até 2024, registros globais apontavam cerca de 754 casos humanos confirmados, com mais de 435 mortes — uma letalidade média de aproximadamente 58%. Em alguns surtos, especialmente na Índia e Bangladesh, a taxa sobe para 70-75%, dependendo da rapidez do atendimento e da capacidade de vigilância epidemiológica local. A OMS estima que, em surtos graves, a mortalidade varie entre 40% e 75%.

No início de 2026, o vírus reapareceu no estado indiano de Bengala Ocidental (West Bengal), com dois casos confirmados em profissionais de saúde — um homem e uma mulher, ambos enfermeiros de um hospital em Barasat, perto de Kolkata. Os sintomas surgiram no final de dezembro de 2025, com confirmação laboratorial por RT-PCR em 13 de janeiro de 2026. Um dos pacientes permaneceu em estado crítico, necessitando de ventilação mecânica, enquanto o outro apresentou melhora após complicações neurológicas graves. Autoridades indianas rastrearam 196 contatos próximos, todos negativos, e declararam o surto contido no final de janeiro.

Apesar da contenção rápida e da ausência de transmissão sustentada, o caso reacendeu preocupações regionais. Países como Tailândia, Malásia, Singapura e Hong Kong intensificaram triagens em aeroportos para viajantes vindos da Índia, especialmente com o aumento de fluxo durante o Ano Novo Lunar. A OMS, porém, avaliou o risco de disseminação para outros estados indianos ou internacionalmente como baixo, sem recomendar restrições a viagens ou comércio.

O que torna o Nipah particularmente alarmante é a combinação fatal de fatores: alta letalidade, capacidade de transmissão entre humanos (já documentada em ambientes hospitalares e familiares), ausência total de vacinas aprovadas ou tratamentos antivirais específicos, e mutabilidade típica de vírus de RNA. O tratamento atual é apenas de suporte intensivo — controle de convulsões, suporte respiratório e manejo de complicações neurológicas —, o que explica por que muitos sobreviventes ficam com sequelas permanentes, como déficits cognitivos ou motores.

A OMS inclui o Nipah na lista de patógenos prioritários do Research and Development Blueprint desde anos atrás, ao lado de ebola, zika e outros agentes com potencial epidêmico. A entidade trabalha com países endêmicos para fortalecer vigilância, diagnósticos rápidos e preparação para surtos, incluindo orientação para notificação imediata de casos suspeitos. Estudos continuam em busca de vacinas candidatas e terapias, mas nenhuma está disponível para uso em larga escala.

Enquanto o risco global permanece baixo — sem evidências de adaptação para transmissão aérea eficiente ou sustentada —, especialistas alertam: em um mundo interconectado, com mudanças climáticas ampliando o habitat de morcegos reservatórios e urbanização facilitando contatos, o Nipah representa uma ameaça latente. A lição de pandemias recentes é clara: investir em prevenção e pesquisa agora é a única forma de evitar surpresas devastadoras no futuro.


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