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Hantavírus: OMS confirma variante rara em navio retido após mortes de passageiros

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Hantavírus: OMS confirma variante rara em navio retido após mortes de passageiros

Mundo – A Organização Mundial da Saúde confirmou nesta quarta-feira (6) que a cepa “Andes” do hantavírus foi identificada nos casos ligados ao possível surto registrado a bordo do cruzeiro de luxo MV Hondius, atualmente isolado na costa de Cabo Verde. A variante é considerada a única conhecida capaz de provocar transmissão entre pessoas, embora especialistas reforcem que esse tipo de disseminação seja raro.

Segundo a OMS, o vírus encontrado nos pacientes infectados corresponde ao hantavírus andino, cepa já associada a episódios limitados de transmissão humana em países da América do Sul, especialmente na Argentina — ponto de partida do cruzeiro em março deste ano.

O alerta internacional aumentou após a morte de três passageiros e a confirmação de novos casos suspeitos entre pessoas que estiveram a bordo da embarcação. Entre as vítimas estão um casal holandês e um cidadão alemão. Outros passageiros seguem internados, incluindo um britânico hospitalizado em Joanesburgo, na África do Sul.

De acordo com informações apresentadas pelo Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul, exames laboratoriais confirmaram que a cepa Andes foi responsável pela infecção da passageira holandesa que morreu em Joanesburgo e também do britânico ainda em tratamento.

Apesar de o hantavírus ser tradicionalmente transmitido pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores contaminados, autoridades sanitárias investigam a possibilidade de contágio entre passageiros durante a viagem. A OMS destacou que, embora incomum, a transmissão de pessoa para pessoa pode ocorrer em situações de contato muito próximo.

O Ministério da Saúde da África do Sul informou que o rastreamento de contatos segue em andamento. Até agora, 62 pessoas foram identificadas e estão sendo monitoradas, entre elas profissionais de saúde e tripulantes de voos que tiveram contato com os infectados. Nenhum novo diagnóstico foi confirmado até o momento.

O navio permanece com cerca de 150 pessoas a bordo. Na terça-feira (5), três passageiros infectados foram retirados da embarcação no porto de Praia, em Cabo Verde, para atendimento médico especializado.

Inicialmente, Cabo Verde seria o destino final do cruzeiro, mas o desembarque foi proibido pelas autoridades locais devido ao risco sanitário. Diante do impasse, a Espanha aceitou receber o MV Hondius após solicitação da OMS e da União Europeia, alegando razões humanitárias e obrigações previstas no direito internacional.

A decisão, porém, gerou tensão política nas Ilhas Canárias, região onde o navio deve atracar. O presidente regional, Fernando Clavijo, criticou a autorização e pediu uma reunião urgente com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmando preocupação com possíveis impactos sanitários para o arquipélago.

Mesmo diante da repercussão internacional do caso, a OMS mantém a avaliação de que o risco para a população em geral permanece baixo. Autoridades sanitárias seguem acompanhando o episódio e monitorando passageiros e tripulantes até o fim do período de incubação da doença.


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