Guerra contra o Irã acelera busca por energia limpa, mas emissões ainda aumentam
Mundo – Mais de 30 governos adotaram medidas para reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão desde o início do conflito; especialistas apontam que mudança ainda deve levar tempo para aparecer nos números globais
A guerra contra o Irã vem mexendo não só com os preços do petróleo e do gás, mas também com a forma como alguns países pensam sua política energética. Desde o início do conflito, em fevereiro, mais de 30 governos anunciaram ou colocaram em prática medidas para diminuir o uso de combustíveis fósseis e ampliar a eficiência energética.
Na prática, isso significa mais incentivo a carros elétricos, expansão de fontes renováveis, instalação de estruturas para recarga de veículos e substituição de equipamentos movidos a gás por alternativas elétricas.
Apesar do movimento, os números globais ainda não mostram uma virada. Dados do Climate TRACE apontam que as emissões de gases de efeito estufa cresceram 0,2% no primeiro semestre de 2026, na comparação com os seis primeiros meses de 2025. Ao mesmo tempo, os investimentos na implantação de energia solar e eólica caíram no período.
O mundo ainda depende fortemente de petróleo, gás natural e carvão, e políticas recém-criadas precisam de tempo para produzir efeitos maiores.
Países adotam medidas diferentes
Um dos exemplos citados é o Reino Unido. O país registrou aumento na instalação de sistemas solares, mas também avalia ampliar a produção de gás. Na Indonésia, parte das usinas movidas a diesel está sendo substituída por energia solar, enquanto o carvão continua sendo usado para abastecer setores industriais pesados.
Segundo dados do Clean Investment Monitor, ligado ao Rhodium Group, os investimentos globais em novas instalações de energia solar e eólica recuaram no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. A China foi responsável por grande parte dessa queda.
Por outro lado, países mais expostos à alta do petróleo e do gás, como Estados Unidos, países europeus e Índia, registraram avanço nos investimentos em energia solar. No setor eólico, os investimentos ficaram estáveis ou cresceram nesses mercados.
Energia elétrica ganha espaço
A Agência Internacional de Energia (AIE) identificou, até 9 de setembro, 33 governos que adotaram medidas relacionadas ao impacto energético da guerra.
Entre as ações estão incentivos para compra de veículos elétricos, ampliação de pontos de recarga, novos projetos de energia renovável e programas para diminuir o consumo de gás e eletricidade em prédios.
No Laos, o governo suspendeu até o fim de 2026 as importações de carros movidos a gasolina e diesel como forma de estimular a adoção de veículos elétricos.
Guerra também pesa no bolso
Além da questão ambiental, a alta dos combustíveis provocada pelo conflito aumentou os gastos de países que dependem da importação de petróleo e gás.
Uma pesquisa do Centre for Research on Energy and Clean Air estima que esses países desembolsaram US$ 330 bilhões a mais do que o previsto antes do início da guerra. União Europeia, China e Índia estão entre os mercados mais afetados.
O mesmo estudo aponta que investimentos feitos anteriormente em energia limpa ajudaram a reduzir a necessidade de importar combustíveis fósseis. Nos cinco primeiros meses do conflito, essas alternativas teriam evitado cerca de US$ 36 bilhões em importações.

