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Grave: Embaixada dos EUA emite alerta para americanos deixarem a Rússia após peste pneumônica vazar de laboratório e matar pesquisadora

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Grave: Embaixada dos EUA emite alerta para americanos deixarem a Rússia após peste pneumônica vazar de laboratório e matar pesquisadora

Mundo – A tensão diplomática e sanitária atingiu um novo patamar nesta terça-feira (6). A Embaixada dos Estados Unidos na Rússia reforçou o alerta para que cidadãos americanos deixem o país de forma imediata. A medida urgente ocorre na esteira de relatos sobre a morte de uma jovem pesquisadora e de um possível surto de peste pneumônica na região de Irkutsk, localizada no sul da Sibéria.

Em comunicado oficial, a representação diplomática norte-americana informou estar ciente e monitorando de perto as notícias sobre o caso e o fechamento de complexos hospitalares. O órgão destacou a “capacidade limitada” de Washington para prestar assistência aos seus cidadãos no país, sobretudo fora de Moscou. O alerta de nível quatro, que desaconselha viagens ao país devido a riscos de detenções indevidas, foi reforçado agora sob a justificativa de preocupações com a saúde e segurança.

O acidente com a bactéria no laboratório de nível 3

O estopim da crise foi a morte de Darya Shipilova, de 28 anos, funcionária de um laboratório de nível de biossegurança 3 especializado em doenças infecciosas, ligado ao Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk. Durante sua internação, a própria jovem relatou ter contraído a doença após quebrar acidentalmente um tubo de ensaio contendo a bactéria Yersinia pestis.

A exposição ocorreu no dia 25 de setembro. Shipilova foi internada quatro dias depois, permaneceu intubada por dois dias e faleceu na madrugada. A quebra do frasco teria liberado a bactéria responsável pela peste pneumônica, a forma mais virulenta da doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e que pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de gotículas respiratórias.

Isolamento em massa e acusações de acobertamento

O incidente provocou uma operação drástica de contenção. Ao menos 197 pessoas assintomáticas foram isoladas após terem tido contato com a pesquisadora. Desse contingente, 177 pessoas foram hospitalizadas em duas unidades da região e outras 12 foram encaminhadas para um “instituto antipeste”. Além disso, 60 funcionários do próprio Instituto também foram submetidos à quarentena. Como medida de precaução, toda a região está recebendo tratamento profilático com antibióticos e, até o momento, não foram registrados novos casos com sintomas.

Apesar do forte esquema de contenção, o governo russo tem apresentado versões conflitantes. O Rospotrebnadzor, órgão sanitário de defesa do consumidor, classificou a morte de Shipilova como uma pneumonia de origem “desconhecida”, minimizando as ligações com o laboratório. O epidemiologista oficial do Kremlin, Mikhal Favorov, rechaçou o relato do tubo quebrado classificando-o como “hilário”, e afirmou não haver risco à população, pois os funcionários usam trajes de proteção profissionais. Favorov vem sendo acusado por moradores locais de acobertar a real gravidade do problema.

Contrariando a linha de Moscou, o governador regional, que inicialmente se recusava a nomear a infecção, confirmou a um jornal tratar-se de “Peste”. A falta de transparência tem gerado comparações com os estágios iniciais da pandemia de Covid-19 na China, levantando temores de que as informações oficiais continuarão escassas.

Reações de Washington e o perigo biológico

A gravidade do cenário movimentou o governo norte-americano. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que conversará diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a crise. No Congresso, o senador Marco Rubio exigiu formalmente mais informações de Moscou sobre as circunstâncias da morte da pesquisadora. O episódio também despertou a atenção de entidades que combatem o uso de laboratórios de armas biológicas que adotaram um tom duro sobre o caso, embora a instalação siberiana não tivesse um histórico desse tipo de acusação.

A peste pneumônica possui um período de incubação curtíssimo, que pode ser de apenas 24 horas. Os sintomas incluem febre, calafrios, falta de ar, dor de cabeça, fraqueza, tosse, dor no peito e, em certos casos, expectoração com sangue. A bactéria pode ser encontrada naturalmente em pequenos mamíferos e pulgas, com casos focados na África e Ásia. Contudo, apesar de altamente letal, quando diagnosticada precocemente e tratada de forma rápida com antibióticos, a doença apresenta taxas de recuperação superiores a 83%.


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