Geopolítica: EUA dizem que Peru arrisca independência ao entregar porto de Chancay à China
Mundo – A disputa pela influência na América Latina ganhou um novo e explosivo capítulo esta semana. O governo dos Estados Unidos emitiu um alerta severo ao Peru, afirmando que o país sul-americano corre o risco de perder sua soberania nacional devido ao controle chinês sobre o Porto de Chancay, uma das infraestruturas logísticas mais importantes da região.
O Departamento de Estado dos EUA, sob a gestão do presidente Donald Trump, classificou a propriedade chinesa do porto como “predatória”. A declaração veio após uma decisão judicial peruana que restringiu o regulador estatal, Ositran, de supervisionar as operações do terminal, controlado majoritariamente pela gigante chinesa Cosco Shipping.
“Dinheiro chinês barato custa soberania”, disparou o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA na rede social X, marcando uma escalada na retórica de Washington contra os investimentos de Pequim no continente.
O Pivo da Crise: Porto de Chancay
Localizado ao norte de Lima, o porto de Chancay é visto como estratégico para o comércio transpacífico. A Cosco adquiriu 60% de participação no projeto em 2019, com um investimento de US$ 1,3 bilhão.
A disputa atual gira em torno da regulação. A empresa chinesa argumentou na justiça que o porto é uma entidade privada de uso público, e não uma concessão estatal, o que o isentaria de certas taxas e supervisões do órgão regulador peruano (Ositran). A justiça peruana decidiu a favor da Cosco, o que acendeu o sinal de alerta em Washington sobre a autonomia das instituições peruanas frente ao poder econômico chinês.
Pequim reagiu prontamente, classificando as falas americanas como “falsas acusações e desinformação”, reiterando que a decisão judicial é técnica e não envolve aspectos de soberania nacional.
O Tabuleiro Geopolítico de 2026
O incidente no Peru não é isolado. O cenário desenhado pelo artigo aponta para uma política externa extremamente agressiva dos EUA na região em 2026, visando recuperar o domínio no Hemisfério Ocidental e expulsar competidores não-ocidentais.
O contexto regional é de alta instabilidade e intervenção direta:
Venezuela: O texto relata uma ação militar drástica em janeiro de 2026, onde forças especiais americanas teriam invadido a Venezuela e capturado o presidente Nicolás Maduro, mantendo sanções pesadas sobre o petróleo venezuelano para impedir negócios com Rússia e China.
Panamá: Washington também pressionou pela retirada de operadores chineses do Canal do Panamá. Após ameaças de Trump de “tomar o canal de volta”, a empresa CK Hutchison concordou em vender sua participação portuária para um consórcio americano, embora o negócio esteja travado na justiça panamenha.
Por que isso importa para o Brasil?
Embora o Brasil não seja citado diretamente no incidente, a escalada de tensões coloca a América do Sul no centro de uma guerra fria comercial e diplomática. Com a China sendo o maior parceiro comercial de diversos países da região (incluindo Peru e Brasil) e os EUA adotando uma postura de “tolerância zero” com a influência asiática no seu “quintal”, os governos sul-americanos enfrentam o desafio de equilibrar seus interesses econômicos sem atrair a ira de Washington ou de Pequim.
Fonte base: RT Business, fevereiro de 2026


