EUA impõe sanções a pessoas e empresas brasileiras que possuem ligações com facções

Brasil – O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (1º/7) a imposição de sanções contra uma rede internacional de lavagem de dinheiro com laços diretos com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida atinge dois cidadãos brasileiros, três empresas com sede no Brasil e uma em Portugal.
Esta é a primeira vez que o governo norte-americano aplica sanções financeiras relacionadas ao PCC desde que a organização criminosa brasileira foi classificada pelo país como um grupo terrorista. A investigação que embasou as medidas foi conduzida em conjunto pelo FBI, pelo Departamento de Justiça (DOJ) e por uma força-tarefa do Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA.
O Esquema e o Modus Operandi
O principal alvo da operação é Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelas autoridades como uma peça central na engenharia financeira da facção. Segundo o comunicado oficial, Shimada atuava como elo entre operadores do PCC estabelecidos na Flórida e traficantes internacionais.
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Lavagem via Criptoativos: A rede teria sido responsável por lavar mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 167 milhões) provenientes de atividades criminosas em diversas cidades americanas.
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Remessa ao Brasil: O dinheiro sujo era convertido em criptomoedas para facilitar e ocultar o envio dos recursos de volta ao Brasil, burlando os sistemas financeiros tradicionais.
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Logística em Espécie: Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada e apontada como secretária e colaboradora direta de Shimada, era a responsável por organizar toda a logística de recolhimento físico de dinheiro em espécie.
Conexão com Fraude no Corinthians
A investigação americana também cruzou com apurações em andamento no Brasil envolvendo esquemas de corrupção no esporte. A empresa de Shimada, a Victory Trading, já é alvo de inquérito do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Corinthians e a um contrato de patrocínio com a casa de apostas Vai de Bet.
De acordo com o governo americano, a “Victory foi usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária”. As investigações brasileiras apontam que a empresa repassou R$ 200 mil à intermediadora “UJ Football Talent”, cujo destino final seria a “Neoway Soluções”, uma empresa supostamente registrada em nome de um “laranja”.
Impacto das Sanções
As medidas impostas pelo Departamento do Tesouro americano geram consequências severas e imediatas para os alvos:
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Bloqueio de Bens: Todos os ativos e bens sob jurisdição dos Estados Unidos pertencentes aos sancionados estão congelados.
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Proibição Comercial: Cidadãos e empresas americanas estão estritamente proibidos de realizar qualquer tipo de negócio ou transação com os indivíduos e empresas listados.
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Sanções Secundárias: Instituições financeiras estrangeiras (incluindo bancos brasileiros) que realizarem transações relevantes com os alvos correm o risco de sofrerem sanções secundárias por parte dos EUA.
Os Alvos da Operação
Pessoas Físicas:
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Victor Henrique de Oliveira Shimada (Sócio-operador)
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Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira (Colaboradora/Logística)
Pessoas Jurídicas (Empresas):
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Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda (Brasil)
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Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Brasil)
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Wave Construções Inteligentes Ltda (Brasil)
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Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (Portugal)


