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EUA e Arábia Saudita fecham acordo nuclear que permite enriquecimento de urânio; entenda

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EUA e Arábia Saudita fecham acordo nuclear que permite enriquecimento de urânio; entenda

Mundo – Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo de cooperação nuclear civil que abre caminho para o uso de tecnologia norte-americana na construção de reatores e permite ao reino avançar em atividades de enriquecimento de urânio.

O pacto foi firmado pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e pelo ministro saudita da Energia, príncipe Abdulaziz bin Salman. Conhecido como Acordo 123, o documento estabelece as bases legais para uma parceria de longo prazo e de bilhões de dólares no setor nuclear.

Ausência de inspeções mais rígidas gera preocupação

Um dos pontos mais controversos é a ausência da exigência de adesão saudita ao Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

Esse mecanismo permite inspeções mais amplas e sem aviso prévio, inclusive em locais não declarados, com o objetivo de identificar eventuais atividades nucleares clandestinas.

O acordo assinado pela gestão de Donald Trump prevê um sistema bilateral de salvaguardas, mas não obriga Riad a aceitar esse nível adicional de fiscalização internacional. Especialistas em não proliferação alertam que a medida pode dificultar a identificação de atividades secretas.

Enriquecimento também pode ter uso militar

O enriquecimento de urânio é utilizado na produção de combustível para reatores nucleares, mas a mesma tecnologia pode ser empregada para elevar a concentração do material até níveis compatíveis com a fabricação de armas.

A preocupação aumenta devido às declarações anteriores do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que afirmou que a Arábia Saudita buscaria uma arma nuclear caso o Irã desenvolvesse esse tipo de armamento.

O acordo também permite o processamento de combustível nuclear usado. Os Emirados Árabes Unidos, ao firmarem um pacto semelhante com Washington em 2009, abriram mão tanto do enriquecimento quanto do reprocessamento em território nacional.

Parceria pode beneficiar empresa norte-americana

O projeto saudita prevê a construção de reatores ao longo de aproximadamente 30 anos e pode movimentar dezenas de bilhões de dólares.

A Westinghouse aparece como uma das principais empresas beneficiadas, com possibilidade de fornecer reatores do modelo AP1000 e outros componentes para o programa nuclear saudita.

Para Washington, o acordo também representa uma disputa de influência. A Arábia Saudita vinha sinalizando que poderia recorrer à China ou à Rússia caso não conseguisse fechar uma parceria com os Estados Unidos.

Documento seguirá para análise do Congresso

O acordo será encaminhado ao Congresso dos Estados Unidos, que terá um período de 90 dias de sessão para analisar o texto.

Pelas regras norte-americanas, os chamados Acordos 123 precisam passar por revisão parlamentar antes de entrarem em vigor. O Congresso poderá tentar barrar ou modificar o pacto, embora uma eventual derrubada de veto presidencial exija maioria qualificada.

Especialistas e organizações de controle de armas já pedem que os parlamentares revisem as condições estabelecidas. Para os críticos, permitir enriquecimento de urânio sem as inspeções mais rigorosas da Aiea pode aumentar o risco de proliferação nuclear no Oriente Médio.

O governo norte-americano, por outro lado, afirma que o acordo mantém padrões elevados de segurança e não proliferação e fortalece a presença dos Estados Unidos no mercado internacional de tecnologia nuclear.


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