EUA anunciam bloqueio naval a portos iranianos no Estreito de Ormuz e petróleo ultrapassa US$ 100

Mundo – As Forças Armadas dos Estados Unidos darão início a um bloqueio naval direcionado aos portos do Irã a partir das 11h desta segunda-feira (13), no horário de Brasília. A decisão reacendeu a tensão nos mercados globais, refletindo imediatamente nos preços de energia: o barril de petróleo tipo Brent disparou mais de 7% na abertura dos mercados, ultrapassando a marca de US$ 100, impulsionado pelo temor de interrupções no fornecimento global.
O anúncio foi antecipado pelo presidente americano, Donald Trump, em suas redes sociais no último domingo. Trump afirmou ter instruído a Marinha a “procurar e interceptar” em águas internacionais qualquer embarcação que tenha pago pedágio a Teerã para atravessar o Estreito de Ormuz. Mais tarde, o Comando Central dos EUA (Centcom) esclareceu que a medida afetará exclusivamente os navios que entram ou saem de portos iranianos, garantindo a passagem daquelas “de e para portos não iranianos”.
Fracasso Diplomático no Paquistão
A medida drástica ocorre logo após o colapso das negociações de paz realizadas no fim de semana em Islamabad, no Paquistão, marcando o fim abrupto do cessar-fogo estabelecido na última terça-feira (7).
A posição dos Estados Unidos: Segundo Trump, as conversas, conduzidas pelo vice-presidente J.D. Vance durante quase 20 horas, avançaram em diversos pontos, mas esbarraram em uma linha vermelha: a questão nuclear. “O Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares”, declarou o presidente. Apesar do impasse, Trump se mostrou confiante de que Teerã retornará à mesa de negociações.
A posição do Irã: O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação de Teerã, rebateu afirmando que a delegação apresentou propostas, mas que os EUA falharam em conquistar a confiança do país após as “experiências de duas guerras anteriores”. Ghalibaf enfatizou que o Irã “não irá se render sob ameaças”.
Retaliação e Impacto Real
Em resposta às declarações de Washington, as Forças Navais da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã advertiram que qualquer embarcação militar americana que se aproxime do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será “tratada severamente”. Desde o início do conflito, Teerã vem aplicando um bloqueio seletivo na via, cobrando um pedágio estimado em US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) para a passagem de embarcações que não pertencem a países aliados.
Apesar da escalada retórica de ambos os lados, especialistas do setor de transporte marítimo apontam que o impacto prático do bloqueio americano pode ser irrelevante.
“Se isso for realmente feito pelos americanos, vai interromper um fluxo muito pequeno de navios. No contexto geral, isso não muda realmente nada”, afirma Lars Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime.
Jensen explica que o número de navios pagando o pedágio iraniano já é minúsculo e que qualquer empresa que o fizesse já estaria automaticamente sujeita a severas sanções econômicas americanas.
A Importância Estratégica do Estreito de Ormuz
No centro das atuais hostilidades, o Estreito de Ormuz é uma das artérias mais críticas para a economia e o abastecimento globais. Desde que o Irã anunciou seu fechamento no início de março, o local se tornou o principal gargalo da guerra.
- Fluxo de Energia: Antes do conflito, a rota escoava cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo, proveniente não só do Irã, mas do Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
- Mercados Dependentes: Quase 90% desse volume tem a Ásia como destino. A China absorve sozinha 38%, seguida por Índia, Coreia do Sul e Japão. A via também é vital para o trânsito de Gás Natural Liquefeito (GNL) e fertilizantes essenciais para a agricultura global, afetando diretamente países como o Brasil.
- Queda no Tráfego: O fluxo na região despencou de forma vertiginosa. A média pré-guerra era de 138 navios diários. O número caiu para 5 ou 6 embarcações no auge do conflito (uma queda de 95%) e havia se recuperado levemente para cerca de 10 embarcações diárias durante a curta janela do cessar-fogo da última semana.
Qualquer nova instabilidade no local tem um efeito dominó imediato, estrangulando cadeias de abastecimento e inflacionando os custos logísticos e de energia em todo o planeta.








