Em guerra contra facções, Keiko Fujimori põe Exército no comando de áreas dominadas pelo crime no Peru; veja vídeo

Manaus – A recém-empossada presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou durante seu discurso de posse no Congresso peruano um giro radical na segurança do país: o Exército e as Forças Armadas assumirão temporariamente o comando da “ordem interna” nas regiões onde facções criminosas, o narcotráfico e a mineração ilegal tomaram o controle territorial.
A medida endurece a atuação do Estado em locais críticos onde bandos armados vêm desafiando as autoridades civis e o policiamento tradicional. Ao prometer tolerância zero às redes do crime transnacional que operam no território peruano, a mandatária de direita confirmou que invocará mecanismos de exceção presentes na Constituição do país.
“Onde o crime organizado, o narcotráfico e a mineração ilegal tomaram o controle do Estado, faremos uso de todas as ferramentas que a Constituição coloca à disposição do governo”, declarou Fujimori durante sua cerimônia de juramento em Lima.
Mudança estrutural: militares assumem papel da polícia nos Estados de Emergência
O ponto que mais chamou a atenção no pronunciamento de posse define uma mudança no topo do comando de segurança durante os decretos de estado de emergência. A partir de agora, as Forças Armadas deixam de atuar apenas como suporte tático e passam a liderar diretamente as ações no combate às facções.
Os três eixos da intervenção militar anunciada:
Liderança temporária das Forças Armadas: O Exército assumirá a chefia operacional e o controle da ordem interna em áreas decretadas sob emergência.
Ação integrada: Apesar da liderança militar, os patrulhamentos e cercos ocorrerão em “estreita coordenação com a Polícia Nacional do Peru (PNP)”, juntando peso de combate e inteligência policial.
Reconquista de território: A meta da ofensiva é “restabelecer plenamente a autoridade do Estado e devolver esses territórios aos cidadãos”, retomando áreas perdidas para o crime.
Reação ao avanço do narcotráfico, mineração ilegal e extorsão
A decretação do novo modelo mira zonas nevrálgicas do Peru, como vales disputados pelo narcotráfico (como a região do VRAEM), rios amazônicos explorados pela mineração ilegal armada e periferias urbanas sufocadas pelo avanço de gangues e facções transnacionais que controlam redes de extorsão.
A promessa de combate militarizado dividiu opiniões em Lima: setores comerciais, conservadores e associações de moradores aplaudiram a medida como uma resposta enérgica para restaurar a paz pública. Por outro lado, analistas e entidades de direitos humanos alertam que colocar tropas do Exército na linha de frente do policiamento civil exige fiscalização constante para evitar abusos do uso da força nas comunidades em conflito.
Com a decisão, Keiko Fujimori marca seu primeiro dia no Palácio de Governo transformando a guerra militarizada contra a criminalidade em sua principal vitrine e o maior desafio do novo mandato.


