Ditadura continua: governo da Venezuela liberou apenas 5% dos presos políticos
Mundo – A oposição venezuelana, por meio da Vocería Oficial, intensificou nesta terça-feira (13) as críticas ao regime de Nicolás Maduro após o anúncio, feito há cinco dias, de uma suposta libertação em massa de presos políticos. Apesar da promessa oficial de que mais de cem detidos já teriam sido soltos, a realidade verificada por organizações de direitos humanos e pela própria oposição é bem diferente.
Até o meio-dia de hoje, apenas 56 liberações foram devidamente confirmadas — número que representa menos de 5% do total estimado de mais de mil presos políticos mantidos nas prisões do país. A discrepância evidencia, segundo a oposição, não apenas a lentidão do processo, mas também uma preocupante ausência de transparência por parte do governo bolivariano.
Aqui estão algumas das imagens que retratam a liderança da oposição e a angústia das famílias:
María Corina Machado (à esquerda) e Edmundo González Urrutia (à direita), principais figuras da oposição, seguem liderando as denúncias contra a manutenção de presos por motivos políticos.
A Vocería Oficial destaca ainda que a grande maioria dos poucos libertados permanece submetida a medidas cautelares consideradas abusivas e restritivas. Além disso, não há listas oficiais divulgadas pelo governo, nem comunicação prévia aos familiares, o que tem gerado cenas de desespero em frente aos centros de detenção.
Famílias acampadas há dias em condições precárias, expostas ao sol e à chuva, aguardam notícias que muitas vezes não chegam. Veja algumas das imagens que mostram essa realidade dramática:
Mais mortes sob custódia do Estado
Outro ponto grave levantado pela oposição é a situação de saúde dos detentos que continuam presos. Não há registros de melhorias nas condições carcerárias, mesmo para aqueles que sofrem de doenças graves. A Vocería cita o caso mais recente: Edison José Torres Fernández, de 52 anos, que morreu após uma crise hipertensiva sem receber atendimento médico adequado.
Com essa morte, sobe para oito o número de presos políticos que faleceram sob custódia do Estado desde as polêmicas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.
A mensagem da oposição é clara e uníssona: não haverá transição política genuína, nem possibilidade de reconciliação nacional, enquanto persistir a prisão de pessoas por motivos exclusivamente políticos.
“Cada dia de prisão conta. Nossa reivindicação permanece a mesma, única, clara e inegociável: libertação imediata, completa, incondicional e verificável de todos os presos políticos”, afirma o comunicado oficial.
Enquanto o regime insiste em apresentar as liberações como um gesto de “generosidade”, a oposição e as organizações de direitos humanos exigem verificação independente, transparência total e o fim definitivo da utilização da justiça como instrumento de perseguição política na Venezuela.


