“Brasil fora do Escudo das Américas”: EUA divulgam mapa de combate ao narcoterrorismo e depois apagam post; veja
Brasil – Um movimento inusitado do Departamento de Estado dos Estados Unidos gerou repercussões diplomáticas nesta semana. Por volta das 9h15, o órgão publicou em sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter) um mapa das Américas destacando os países que integram a coalizão militar “Escudo das Américas”, voltada ao combate do terrorismo no hemisfério ocidental. A postagem, no entanto, foi apagada cerca de meia hora depois.
O incidente ocorre um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, acusar o governo brasileiro de falhar no combate às facções criminosas PCC e Comando Vermelho.
Na imagem divulgada, as nações participantes da aliança liderada por Washington apareciam destacadas em vermelho, enquanto os países que não integram o grupo foram pintados de cinza. O Brasil figurou no grupo excluído da coalizão, dividindo a cor cinza com países como Venezuela, Nicarágua, México e Canadá. Por outro lado, Colômbia e Peru — que recentemente elegeram presidentes de direita — foram destacados como os mais novos membros da aliança.
A legenda da publicação apagada trazia um tom incisivo: “Organizações terroristas transnacionais são malignas. Precisamos trabalhar juntos para derrotá-las. É exatamente isso que estamos fazendo”.
Contexto de atrito com o governo Lula
O episódio nas redes sociais não ocorreu de forma isolada. A exclusão visual do Brasil da lista de aliados no “combate ao terrorismo” se deu apenas um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, assinar um documento oficial com duras críticas à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na área de segurança pública.

No memorando, o governo dos EUA classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. Segundo o documento assinado por Trump, o governo brasileiro tem falhado em confrontar essas facções, permitindo que o país se transforme em um “centro de distribuição global de cocaína”.
Apesar de poupar o Brasil de integrar a lista oficial estadunidense de “principais países de trânsito ou produtores de drogas”, a Casa Branca fez questão de cobrar mudanças imediatas. “Enquanto muitos governos no Hemisfério Ocidental tomam medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras”, destacou o texto presidencial.
Até o momento, nem o Departamento de Estado dos EUA explicou o motivo de ter deletado a publicação, nem o Itamaraty se pronunciou oficialmente sobre as declarações do governo norte-americano ou sobre a postagem apagada.

