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Avanço do vírus Nipah coloca a OMS em alerta máximo: ‘7 em cada 10 pessoas morrem’; veja vídeo

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Avanço do vírus Nipah coloca a OMS em alerta máximo: ‘7 em cada 10 pessoas morrem’; veja vídeo

Mundo – No vasto catálogo de patógenos monitorados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), poucos nomes evocam tanto temor entre epidemiologistas quanto o vírus Nipah (NiV). Enquanto o mundo aprendeu a lidar com a alta transmissibilidade de vírus respiratórios comuns, o Nipah representa um perigo de natureza diferente: uma virulência devastadora que pode transformar um surto localizado em uma crise de mortalidade sem precedentes. Com registros que indicam uma taxa de letalidade de até 75%, o vírus não apenas mata, mas desafia os limites dos sistemas de saúde modernos.

O vírus Nipah é um vírus zoonótico, o que significa que ele salta de animais para seres humanos. Seu hospedeiro natural é o morcego frugívoro do gênero Pteropus, popularmente conhecido como “raposa voadora”. O ciclo de infecção é muitas vezes silencioso; os morcegos carregam o vírus sem adoecer, eliminando-o através da saliva, urina e fezes.

O perigo para os humanos surge no contato direto ou indireto com esses fluidos. Na Índia e em Bangladesh, surtos recorrentes foram ligados ao consumo de seiva de tamareira contaminada ou frutas mordidas por morcegos. No entanto, o cenário se torna ainda mais sombrio quando o vírus entra no ambiente hospitalar ou doméstico. A transmissão de humano para humano, embora menos eficiente que a da gripe, ocorre através de secreções respiratórias e fluidos corporais, criando cadeias de contágio que são extremamente difíceis de conter em áreas densamente povoadas.

O que torna o Nipah estatisticamente mais perigoso do que a maioria das doenças infecciosas é a sua capacidade de atacar dois sistemas vitais simultaneamente. Inicialmente, o paciente apresenta sintomas inespecíficos: febre alta, dores musculares e uma fadiga paralisante. Contudo, a progressão é veloz e cruel.

Em questão de dias, o vírus atravessa a barreira hematoencefálica, desencadeando uma encefalite aguda — uma inflamação severa do cérebro. O paciente entra em estado de desorientação, sonolência e confusão mental. Nos casos mais graves, surgem convulsões que evoluem rapidamente para o coma. Paralelamente, muitos pacientes desenvolvem insuficiência respiratória aguda, o que torna o manejo clínico um desafio logístico monumental. A falta de tratamentos antivirais específicos ou vacinas aprovadas significa que os médicos podem oferecer apenas cuidados de suporte, observando, muitas vezes impotentes, enquanto o organismo sucumbe à carga viral.

O recente alerta emitido após casos em Bengala Ocidental, na Índia, reacendeu o debate sobre a segurança sanitária global. A região, que já enfrentou surtos no passado, viu o vírus ressurgir com uma agressividade que vitimou inclusive profissionais de saúde. Quando médicos e enfermeiros — que utilizam equipamentos de proteção — são infectados, a comunidade científica interpreta isso como um sinal de que o vírus pode estar desenvolvendo mecanismos de transmissão mais eficientes.

A OMS classifica o Nipah como uma prioridade na sua “Lista de Patógenos para Pesquisa e Desenvolvimento”, ao lado do Ebola e do Zika. O medo não é apenas o de uma pandemia global de rápida propagação, mas o de surtos explosivos que, embora geograficamente limitados, deixem um rastro de destruição humana comparável a cenários de guerra.

A ciência corre para desenvolver imunizantes e terapias de anticorpos monoclonais, mas o caminho é longo. A prevenção atual baseia-se quase inteiramente na vigilância e na mudança de hábitos. Evitar o consumo de frutas que apresentem marcas de mordidas de animais e garantir que a seiva de palmeiras seja fervida antes do consumo são medidas vitais em áreas de risco.

Para o resto do mundo, a lição é a da prontidão. O vírus Nipah serve como um lembrete brutal de que a fronteira entre a civilização e os reservatórios virais da vida selvagem é tênue. Com uma letalidade que beira os 75%, não há margem para erro. O monitoramento rigoroso e a transparência nas informações entre os países são as únicas ferramentas capazes de garantir que o Nipah permaneça contido nas florestas e não se torne o próximo grande desafio do século XXI.


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