Ataque israelense em vila do Líbano deixa dezenas de mortos e expõe nova escalada na guerra com o Hezbollah
Mundo – Uma operação militar israelense realizada durante a madrugada deste sábado (7) em uma vila no leste do Vale do Bekaa, no Líbano, terminou com dezenas de mortos e evidenciou o agravamento da guerra entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã. Segundo o Ministério da Saúde libanês, ao menos 41 pessoas morreram e cerca de 40 ficaram feridas após ataques aéreos e combates em terra na localidade de Nabi Chit.
Entre os mortos estariam três soldados do Exército libanês, além de civis, incluindo crianças, de acordo com autoridades e moradores da região.
A ofensiva tinha como objetivo recuperar os restos mortais de um militar da Força Aérea israelense desaparecido no Líbano. A operação, no entanto, acabou desencadeando confrontos intensos com combatentes do Hezbollah e moradores armados da vila.
Vila devastada após bombardeios
Após a ofensiva militar israelense, jornalistas correspondentes conseguiram entrar na região e encontraram um cenário de destruição generalizada. Casas estavam reduzidas a escombros e uma grande cratera se abriu no solo após os bombardeios.
Entre os destroços, objetos do cotidiano civil revelavam a vida interrompida pela guerra, utensílios de cozinha, pinturas nas paredes e até um livro de colorir infantil. Pelas ruas da vila, cápsulas de balas espalhadas na manhã de sábado completavam o cenário de destruição deixado pelos confrontos.
Confrontos nas ruas
De acordo com o Exército libanês, quatro aeronaves israelenses foram observadas sobrevoando a fronteira entre o Líbano e a Síria durante a noite de sexta-feira (6). Duas delas pousaram e desembarcaram soldados das forças especiais israelenses.
Simultaneamente, começou um “bombardeio aéreo em larga escala”, informou a instituição.
Unidades do Exército libanês afirmaram ter adotado medidas defensivas, incluindo o uso de bombas sinalizadoras para tentar localizar o ponto de desembarque das tropas.
Em Nabi Chit, os combates rapidamente se espalharam pelas ruas da vila.
“À meia-noite sentimos um movimento estranho em um dos lados da cidade. Descobrimos que era uma unidade de comandos israelenses em missão”, disse um oficial local. “A resistência os cercou e os confrontos começaram. Depois disso, a força aérea intensificou os ataques para permitir a retirada dos soldados.”
Moradores e membros do Hezbollah afirmam que cerca de 40 ataques aéreos foram realizados para cobrir a retirada das tropas israelenses.
Infiltração militar
Testemunhas relataram que os militares israelenses teriam entrado na região disfarçados com uniformes do Exército libanês e utilizando ambulâncias com o símbolo da Organização Islâmica de Saúde, ligada ao Hezbollah.
O chefe do Exército libanês confirmou posteriormente a suspeita à imprensa local, mas as Forças de Defesa de Israel (IDF) não comentaram as acusações.
Ordens de evacuação ignoradas
Moradores relataram que Israel havia emitido ordens de evacuação para a vila, e que um novo alerta teria sido feito pouco antes da operação. Mesmo assim, algumas famílias permaneceram no local.
“Normalmente eles atingem duas ou três casas. Desta vez foi diferente, foi um bombardeio contínuo”, disse um morador enquanto observava a enorme cratera aberta no chão.
Outro habitante resumiu o choque da população local: “Eles bombardearam tudo. Isso é uma loucura.”
Escalada do conflito
As Forças de Defesa de Israel afirmaram que nenhum soldado israelense ficou ferido na operação e disseram que continuarão atuando para recuperar cidadãos israelenses mortos ou desaparecidos.
Em comunicado separado, o Exército israelense afirmou que ataques noturnos no sul do Líbano e no Vale do Bekaa atingiram armas e instalações militares do Hezbollah.
Desde o início da semana, pelo menos 294 pessoas foram mortas em todo o Líbano em decorrência de ações militares israelenses, segundo dados do Ministério da Saúde do país.
O Hezbollah, considerado organização terrorista por países como Estados Unidos e Reino Unido, segue sendo a principal força armada na região e mantém confrontos frequentes com Israel desde o início da atual escalada no Oriente Médio.




