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Termômetros chegam a 36,3°C em Manaus e capital enfrenta recorde de calor com El Niño

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Termômetros chegam a 36,3°C em Manaus e capital enfrenta recorde de calor com El Niño

Manaus – O verão amazônico deste ano está sendo marcado por um clima implacável em Manaus, impulsionado de forma direta pelas anomalias do fenômeno El Niño. Nesta última semana, a capital amazonense registrou o dia mais quente do ano ao atingir a sufocante marca de 36,3°C, valor classificado como atípico para o período pelo Inmet. Nas ruas, a população já sente o impacto das altas temperaturas logo no início da manhã, com o desconforto térmico alcançando seu nível mais crítico entre o meio-dia e as 15 horas.

Toda essa situação de calor extremo é agravada por uma escassez severa e prolongada no regime de chuvas da região. Segundo o meteorologista Paulo Moura, do Censipam, foram registrados menos de 12 milímetros de chuva nos últimos 40 dias na capital, um volume alarmante quando comparado à média histórica esperada de 40 a 70 milímetros. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico atua bloqueando a formação de nuvens de chuva, o que derruba a umidade do ar e compromete a qualidade de vida local.

Para agravar o cenário, as projeções climatológicas indicam que o desconforto térmico deve se intensificar ainda mais nos próximos meses. O pesquisador e meteorologista da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Leonardo Vergasta, alerta que o calor tende a piorar significativamente ao longo de setembro e outubro. Esse agravamento ocorrerá não apenas pela persistência do El Niño, mas também pela perigosa combinação com as ilhas de calor urbano que se formam devido à alta densidade de concreto e asfalto na cidade.

Além de afetar diretamente o bem-estar da população, o tempo seco e as temperaturas elevadas servem como combustível imediato para a proliferação de queimadas. Apenas nos dois primeiros fins de semana de agosto, a capital registrou mais de 200 focos de incêndio. O comandante do Corpo de Bombeiros, Orleilso Muniz, destaca que Manaus já ultrapassou 1.200 ocorrências de incêndios em vegetação e edificações em 2026, alertando que o período crítico continuará demandando atenção redobrada durante os meses de setembro, outubro e novembro.


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