Estatísticas que sangram: trânsito em Manaus é um dos mais letais do Brasil, alerta especialista

Manaus – O primeiro semestre de 2026 consolidou um cenário de alerta máximo para a segurança pública e a mobilidade urbana na capital amazonense. Segundo a análise do especialista em Gestão de Trânsito, Mário Ricardo, 126 pessoas perderam a vida em acidentes nas vias de Manaus entre janeiro e junho, representando um aumento de 1,61% em relação ao mesmo período de 2025.
Para o especialista, a persistência desse patamar elevado revela que as tradicionais medidas de controle e conscientização não têm sido suficientes. O levantamento de Mário Ricardo aponta março como o mês mais letal do semestre, com 25 mortes, e destaca que a imprudência continua sendo o principal vetor das ocorrências. Ele elenca o excesso de velocidade, a desatenção ao volante (especialmente pelo uso de celulares), a alcoolemia e a prática de “rachas” como as principais causas das tragédias nas vias urbanas.
Colapso na Saúde e o Perigo em Duas Rodas
A letalidade, de acordo com Mário Ricardo, é apenas uma das faces do problema, que impõe um fardo severo à infraestrutura hospitalar do Amazonas. “A perda de uma vida no trânsito gera impactos que ultrapassam os números estatísticos, atingindo famílias e comunidades inteiras”, ressalta o especialista.
Até o fechamento de junho, a rede pública de saúde computou mais de 13 mil atendimentos de urgência e emergência vinculados ao trânsito. Apenas naquele mês, foram 1.077 atendimentos, com cerca de 80% ocorrendo estritamente na malha urbana de Manaus. O especialista alerta para a extrema vulnerabilidade dos motociclistas, envolvidos em 689 desses casos (63,97% do total). Como reflexo direto dessa violência, Mário Ricardo estima que atualmente 75% dos leitos de UTI e enfermarias dedicadas a traumas no estado estejam ocupados por vítimas do trânsito, asfixiando o atendimento de outras patologias.
Zona Leste em Alerta Máximo
O mapeamento territorial analisado pelo especialista indica que a Zona Leste desponta de forma isolada como a região mais crítica da cidade, concentrando sozinha 33,06% de todas as vítimas fatais do semestre. A densidade demográfica associada a avenidas de tráfego rápido explicam a alta vulnerabilidade da área.
Medidas Urgentes
Para reverter esse quadro, o especialista em Gestão de Trânsito propõe a transição imediata para uma estratégia de prevenção ativa e integrada, estruturada em três frentes principais:
Fórum Permanente de Mobilidade: Criação de um canal reunindo poder público e sociedade civil para revisar o plano diretor sob a ótica da proteção a pedestres e ciclistas.
Atenção à Zona Leste: Intensificação prioritária de campanhas de conscientização, intervenções de engenharia e fiscalização eletrônica na região, que lidera as estatísticas de letalidade.
Projeto “Me Sinto Seguro”: Fortalecimento da rede comunitária por meio de ações transversais em escolas, empresas e igrejas, promovendo a corresponsabilidade nas ruas.
Mário Ricardo conclui que a redução sistemática das colisões exige uma ação rigorosa que envolva engenharia de tráfego, fiscalização severa e mudança de postura individual. “O progresso econômico e urbano de Manaus só será pleno quando a preservação da vida humana estiver irrevogavelmente acima da pressa quotidiana”, alerta o especialista.


