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Amor pelo festival: torcedor rema cerca de 400 km até Parintins pelo seu boi do coração

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Amor pelo festival: torcedor rema cerca de 400 km até Parintins pelo seu boi do coração

Manaus – Há gestos que ultrapassam o limite do torcer e entram no campo da devoção. No meio do Rio Amazonas, um deles vem sendo construído remada por remada.

O marinheiro de convés Diego Mores decidiu sair de Manaus em um caiaque e seguir sozinho até Parintins, numa travessia de mais de 400 quilômetros que ele espera concluir às vésperas do Festival Folclórico. O destino é o mesmo de milhares de pessoas nesta época do ano — mas o caminho, no caso dele, é outro completamente diferente.

Mais do que uma viagem, o percurso virou uma espécie de homenagem pessoal ao Boi Caprichoso, time pelo qual ele torce e que dá sentido simbólico à jornada. Em vez de embarcações tradicionais ou transporte aéreo, Diego escolheu o esforço contínuo do próprio corpo como meio de chegada.

A travessia começou no último domingo (21) e deve levar cerca de seis dias. Sozinho no caiaque, ele cruza trechos longos do rio enfrentando sol intenso, variações de correnteza e o desgaste natural de horas seguidas de remada.

Mas a solidão do percurso não é absoluta. Ao longo do caminho, comunidades ribeirinhas se tornam pontos de apoio e descanso. Em diferentes paradas, ele é recebido por moradores que oferecem abrigo, alimentação e, sobretudo, histórias que fazem parte da vida às margens do Amazonas.

A preparação para a viagem também envolve tecnologia e segurança. Um dispositivo de localização via satélite acompanha a travessia em tempo real, enviando a posição do caiaque a familiares a cada hora — uma medida essencial em um trajeto tão extenso e isolado.

O vínculo com o Festival de Parintins aparece até nos detalhes. O caiaque usado na travessia, originalmente associado ao vermelho do Boi Garantido, ganhou elementos azuis antes da partida — uma escolha simbólica para alinhar o percurso ao Caprichoso, que ele pretende ver de perto pela primeira vez no evento.

Praticante experiente de canoagem, Diego já percorreu outros trechos importantes da região amazônica em anos anteriores. Ainda assim, afirma que essa travessia tem um significado diferente: não se trata apenas de deslocamento, mas de vivência.

A chegada está prevista para ocorrer poucas horas antes do início do festival, em uma das épocas mais movimentadas do ano em Parintins. Lá, ele deve ser recebido por familiares e, finalmente, assistir ao espetáculo que motivou toda a jornada.

No fim, a travessia diz tanto sobre um torcedor quanto sobre a própria Amazônia: um território onde o rio não é apenas estrada, mas também narrativa, encontro e identidade.


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