Amazonense cria metodologia inédita para transformar biodiversidade, cultura e riquezas locais em desenvolvimento econômico na Amazônia
Por Netto em 21 de junho de 2026 às 9:41

Manaus – A Amazônia abriga uma das maiores concentrações de biodiversidade e riqueza cultural do planeta. Ainda assim, muitos dos produtos, territórios e comunidades que carregam esse patrimônio enfrentam dificuldades para transformar seus diferenciais em reconhecimento, competitividade e geração de valor.
Foi a partir desse desafio que a pesquisadora amazonense Nathaly Rabelo desenvolveu o Branding Territorial Sistêmico (BTS), metodologia inédita que propõe um novo caminho para fortalecer territórios por meio da valorização de sua identidade, de seus ativos locais e de sua capacidade de articulação.

A proposta foi apresentada em sua tese de doutorado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, defendida nesta sexta-feira (19) na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e aprovada com louvor e distinção, reconhecimento concedido pela banca à relevância científica e à contribuição inédita da pesquisa.
A metodologia surge em um contexto em que a Amazônia ocupa posição estratégica nos debates globais sobre sustentabilidade, bioeconomia e desenvolvimento territorial, mas ainda enfrenta desafios para converter seu patrimônio natural, cultural e social em oportunidades duradouras para suas populações.
Segundo Nathaly, muitos produtos e territórios carregam histórias, conhecimentos tradicionais, atributos ambientais e identidades únicas, mas essas características nem sempre se convertem em valor percebido pelo mercado, pelos consumidores ou pelos formuladores de políticas públicas.
“O desafio não é apenas produzir. É fazer com que o território seja reconhecido por aquilo que o torna único. Quando isso acontece, surgem novas oportunidades para atrair investimentos, fortalecer cadeias produtivas, ampliar mercados e gerar benefícios para as populações locais”, afirma.

O BTS foi concebido para enfrentar uma lacuna frequentemente observada em iniciativas de desenvolvimento territorial: a existência de ativos valiosos naturais, culturais, produtivos e simbólicos que permanecem desconectados entre si, dificultando a construção de uma identidade territorial forte e de estratégias duradouras de desenvolvimento.
Mais do que uma ferramenta voltada à promoção de produtos, o BTS foi concebido como um modelo capaz de apoiar estratégias de desenvolvimento territorial, reunindo diferentes atores em torno de uma visão compartilhada de futuro.
Em um cenário de crescente interesse global por bioeconomia, rastreabilidade, produtos de origem e investimentos sustentáveis, a metodologia busca contribuir para que territórios construam posicionamentos mais fortes, ampliem sua capacidade de atração de investimentos e fortaleçam cadeias produtivas associadas à sociobiodiversidade.
Embora possa ser aplicada a produtos e cadeias produtivas específicas, a proposta foi desenvolvida para apoiar estratégias mais amplas de desenvolvimento territorial, integrando atores públicos, privados, comunitários e institucionais em torno de objetivos comuns de valorização e fortalecimento dos territórios.

Em um momento em que a Amazônia busca consolidar modelos de desenvolvimento compatíveis com a conservação ambiental e a inclusão social, a pesquisa propõe uma reflexão sobre como territórios podem fortalecer sua capacidade de organização, diferenciação e competitividade sem perder sua identidade cultural e seus vínculos com o patrimônio natural.
Para Nathaly, o grande desafio da Amazônia não está apenas em conservar seus ativos naturais e culturais, mas em criar mecanismos capazes de transformar essa riqueza em prosperidade de forma ética, inclusiva e sustentável.
Mais do que uma metodologia para promover territórios, o BTS propõe uma nova forma de compreender como identidade, governança e desenvolvimento podem atuar de maneira integrada para gerar valor compartilhado e fortalecer a competitividade territorial em contextos marcados pela diversidade cultural e ambiental.
Nathaly Rabelo é pesquisadora amazonense, mestre e doutora em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, com formação em Design e especialização em Branding. Ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional, tem atuado na interface entre branding, sustentabilidade, sociobiodiversidade e desenvolvimento territorial, participando de iniciativas voltadas à valorização de ativos locais, fortalecimento de cadeias produtivas e promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia.
A pesquisa foi desenvolvida no âmbito do doutorado em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia (PPGCASA), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), sob orientação da professora Therezinha de Jesus Pinto Fraxe. Com a aprovação da tese, o BTS se consolida como uma contribuição acadêmica inédita ao campo do branding territorial, ampliando possibilidades de diálogo com instituições, governos, empresas e organizações interessadas em estratégias de valorização territorial, bioeconomia e fortalecimento de cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
O QUE É O BTS?
O Branding Territorial Sistêmico (BTS) é uma metodologia inédita desenvolvida na Amazônia para apoiar a valorização de territórios, produtos e cadeias produtivas da sociobiodiversidade, integrando identidade territorial, governança e posicionamento estratégico para gerar valor de forma ética, inclusiva e sustentável.








