Tensão na Venezuela acende alerta na Defesa: os desafios urgentes da política externa brasileira

Brasil – A área de defesa é um dos principais desafios da política externa brasileira nos próximos anos. O setor exigirá maior atenção do país diante da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e de uma conjuntura internacional em que conflitos estão se ampliando. O alerta vem de Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
De acordo com Faleiro, a percepção de vulnerabilidade com a ação militar americana na região trouxe uma nova urgência para lidar com essa questão. Durante a 2ª Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), ele destacou que “a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela colocou uma pressão adicional sobre o Brasil e sua política de defesa”.
Importância da Defesa Nacional
Faleiro afirmou que o Brasil precisará decidir se investe ou não no setor de defesa. Ele apontou que existe um dilema permanente na sociedade brasileira: alguns acreditam que o Brasil é um país pacífico, logo não haveria necessidade de uma defesa robusta, enquanto outros defendem que a assimetria militar é tão grande que qualquer investimento será em vão. No entanto, ele ressaltou que conflitos assimétricos, como o do Irã com os Estados Unidos, demonstram que nem sempre o mais forte vence, desde que haja uma estratégia de dissuasão bem planejada.
“O Brasil deve considerar seriamente a sua vulnerabilidade em matéria de defesa”, destacou Faleiro.
A defesa do Brasil, portanto, não deve ser negligenciada. A situação atual e a possibilidade de ações militares em sua vizinhança requerem um planejamento estratégico cuidadoso. Faleiro frisou que o Brasil precisa aumentar o investimento em defesa, mesmo que isso gere debate interno sobre a relevância desse setor.
Minerais Críticos e Terras Raras
Além da defesa, Faleiro mencionou outros cinco desafios que a política externa brasileira terá que enfrentar. Um deles é a questão dos minerais críticos e terras raras. Ele explicou que o arcabouço regulatório atualmente está desatualizado e que a gestão está se esforçando para criar um Conselho Nacional de Minerais Críticos vinculado à Presidência da República. Faleiro afirmou que o Brasil é o segundo maior detentor de minerais críticos, e que investimentos estratégicos são essenciais para consolidar essa posição.
“Precisamos desenvolver estratégias para assegurar que o Brasil se posicione de maneira competitiva nesse setor”, afirmou.
A relevância dos minerais críticos, especialmente em um cenário de transição energética e demanda crescente, é uma questão que será de alta prioridade para os próximos anos. O Brasil não pode permitir que sua capacidade nesses recursos seja ameaçada pela falta de uma política clara e atualizada.
Desafios da Soberania Digital e Crime Organizado
A soberania digital também foi destacada como uma área crítica. Faleiro alertou que o Brasil está atrasado em relação à evolução global desse tema, com a necessidade de investimentos significativos para reverter essa situação. Ele enfatizou que o país deve se apressar para não ficar ainda mais para trás no contexto digital.
Outro tema relevante é o combate ao crime organizado transnacional. O assessor-chefe alertou que o Brasil deve cuidar para que a questão não seja utilizada para fins políticos. Ele mencionou que, após ter conquistado a direção da Interpol, o Brasil deve “sair da defensiva” e construir uma agenda proativa de combate ao crime organizado na América Latina.
“A colaboração em assuntos de segurança é uma necessidade urgente para a nossa região”, concluiu Faleiro.
Ademais, questões de integração regional e com os países africanos também exigem atenção. Faleiro observou que a fragmentação na América Latina torna a integração um desafio, especialmente com eventos políticos recentes. A postura do Brasil deve ser a de tentar o que é possível dentro desse cenário complicado.
No que diz respeito à África, Faleiro ressaltou a simpatia histórica que o Brasil possui e que agora, após uma década de negligência nas relações, é necessário buscar novos instrumentos de cooperação. Ele mencionou que o Brasil é visto favoravelmente, mas observa que outros países estão mais avançados nessas relações.
O Futuro dos Brics
Por fim, Faleiro discutiu o bloco dos Brics, que agora inclui novos membros. Segundo ele, o aumento do número de participantes foi um erro, levando o grupo à paralisia devido a conflitos internos. Faleiro argumentou que o consenso dentro do grupo se tornou quase impossível, o que limita a eficácia de uma das principais plataformas de cooperação global.
Essa análise evidencia uma série de desafios e oportunidades que o Brasil enfrentará com sua política externa nos próximos anos. A necessidade de um direcionamento claro sobre defesa, minerais críticos, soberania digital e integração regional são tópicos que merecem atenção redobrada.








