TCC com título “Antes Elize do que Eliza” viraliza e levanta debate sobre violência contra a mulher

Brasil – Um Trabalho de Conclusão de Curso apresentado por uma estudante de Direito ganhou repercussão nas redes sociais ao usar no título uma comparação entre dois casos criminais conhecidos nacionalmente. A pesquisa, intitulada “Antes Elize do que Eliza”, foi desenvolvida por Clara Souza, de 22 anos, e recebeu nota 10 na Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Ceará.
O título faz referência a Elize Matsunaga, condenada pela morte do marido, Marcos Matsunaga, e a Eliza Samudio, assassinada em 2010. Segundo a estudante, a escolha da frase não representa apoio ao crime cometido por Elize, mas serve como ponto de partida para discutir a sensação de insegurança e desamparo vivida por mulheres diante da violência.
Com mais de 130 páginas, o trabalho analisa como vítimas e mulheres envolvidas em crimes de grande repercussão são retratadas pela Justiça, pela imprensa e pelas redes sociais. A pesquisa também aborda a exposição da vida privada, os julgamentos morais e a transformação de casos criminais em grandes espetáculos públicos.
Clara explica que a expressão ganhou força nas redes a partir da percepção de que Eliza Samudio teria buscado ajuda e proteção antes de ser assassinada. A partir desse contexto, a estudante buscou discutir como mulheres avaliam os limites da própria segurança quando sentem que as instituições não conseguem impedir a violência.
A monografia também compara aspectos das trajetórias de Eliza Samudio e Elize Matsunaga, observando como fatores como condição social, relacionamentos, comportamento e exposição pública influenciaram a forma como cada uma foi apresentada à sociedade.

Após imagens da apresentação circularem pela internet, o trabalho passou a gerar debates e opiniões divergentes. A autora afirma que recebeu mensagens de mulheres de diferentes regiões interessadas na pesquisa e nas discussões levantadas pelo estudo.
A banca examinadora recomendou que o tema seja aprofundado em uma futura pesquisa de mestrado. Atualmente, Clara atua na assessoria jurídica da Defensoria Pública do Ceará, em uma área ligada ao enfrentamento da violência doméstica.
A repercussão ocorre justamente em um período de maior mobilização nacional sobre violência contra a mulher, marcado pelo Agosto Lilás e pelos 20 anos da Lei Maria da Penha, completados nesta sexta-feira (7).

