“Tá repreendido!”: prefeito do interior encontra despacho com foto dele e da esposa na porta de casa; veja vídeo
O episódio provocou forte mobilização popular, dividindo opiniões na internet e inserindo um ingrediente inusitado e místico na disputa política local. Segundo o gestor municipal, que retornava de uma viagem oficial ao município vizinho de Marabá, esta não teria sido a primeira vez que objetos semelhantes foram abandonados no perímetro de sua residência.
O flagrante ao vivo: cachaça derramada e orações
Na gravação realizada em tempo real e assistida por dezenas de espectadores, Aurélio Goiano expôs em detalhes o material descartado no cascalho da via: pratos de barro com farofa e pipoca, garrafas de bebida alcoólica, velas acesas e uma galinha preta morta. Visivelmente indignado, mas adotando tom de desafio, o prefeito negou sentir temor e relacionou o caso diretamente à cena política municipal: “Vocês podem continuar fazendo feitiçaria, macumbaria… Vocês podem fazer o diabo que vocês quiserem, porque em mim não vai pegar. A minha cara pode ser de doido, mas o meu coração é do Senhor Jesus. […] Toda obra de feitiçaria, de safadeza, cai por terra agora em nome do Rei!”, Aurélio Goiano, prefeito de Parauapebas.
Durante o vídeo, enquanto pisava no terreno sujo por farinha, Goiano pegou uma das garrafas de aguardente deixadas na oferenda e derramou o líquido no chão, exclamando: “Tá amarrado, tá repreendido em nome de Jesus!”. Ele também ressaltou que só não expôs o primeiro episódio para preservar a primeira-dama, que teria ficado abalada e temerosa na ocasião, mas que decidiu formalizar o registro público desta segunda ocorrência para demonstrar que “não se intimida com a disputa pelo poder”.
Câmeras de monitoramento apontam veículo suspeito
Para fundamentar a denúncia de que teria sido alvo de uma ação premeditada, o prefeito publicou um segundo arquivo em suas redes oficiais: imagens captadas pelo sistema de monitoramento noturno de sua rua.
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Vídeo 1 (Gravação em tempo real): O prefeito exibe pratos ritualísticos, velas, bebidas e uma ave morta na rua marginal à sua casa. Ele ressalta a presença de fotografias do casal e afirma que disputas políticas estão por trás do episódio.
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Vídeo 2 (Circuito de vigilância): Uma câmera noturna capta um automóvel de passeio branco estacionando na esquina exata em horário noturno. Com os faróis acesos, o veículo para por alguns segundos antes de arrancar, momento em que o material teria sido deixado na via.
Repercussão dividida: solidariedade e ceticismo
A divulgação dos vídeos gerou um intenso debate público nas redes sociais e rodas de conversa na região central de Parauapebas. Entre apoiadores, lideranças religiosas e simpatizantes do prefeito, o clima foi de imediata solidariedade: centenas de comentários desejaram proteção espiritual ao gestor e repudiaram o uso de práticas ocultas como suposta intimidação política.
Por outro lado, o episódio não escapou ao escrutínio e ao ceticismo de parte dos munícipes e opositores. Comentários críticos questionaram as circunstâncias da filmagem, sugerindo que o caso poderia representar uma estratégia de marketing político ou vitimização. Além disso, setores da sociedade alertaram para o risco de intolerância religiosa no discurso público, lembrando que rituais de religiões de matriz africana constituem práticas constitucionalmente protegidas e não devem ser automaticamente associadas a atos criminosos ou ataques pessoais sem comprovação judicial.
Até o momento, não foi confirmada a identidade das pessoas presentes no veículo branco exibido nas câmeras de vigilância. A Prefeitura e o gestor afirmam que continuarão focados na administração da cidade, enquanto o vídeo permanece acumulando visualizações e fomentando discussões acaloradas no cenário local.

