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Saiba quem é a ‘irmã da igreja’ que matou mãe e filhas para ficar com pescador

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Saiba quem é a ‘irmã da igreja’ que matou mãe e filhas para ficar com pescador

Brasil – Entre o fim de julho e meados de agosto de 2018, o distrito de Nagé, em Maragogipe, no Recôncavo Baiano, foi marcado por uma sequência de mortes que gerou comoção e mistério.

Em poucas semanas, morreram a marisqueira Adriane Ribeiro Santos, de 23 anos, e suas duas filhas, Gleysse Kelly, de 5 anos, e Ruteh, de apenas 2. Poucos dias antes da primeira tragédia, o cachorro da família também havia morrido, o que aumentou ainda mais as suspeitas em torno do caso.

As mortes ocorreram em um intervalo curto e com sintomas semelhantes, o que rapidamente levantou dúvidas entre familiares, médicos e autoridades. Inicialmente, cada caso foi tratado de forma isolada, mas a repetição dos episódios acabou mudando completamente o rumo das investigações.

O primeiro caso foi registrado em 30 de julho de 2018, quando Gleysse Kelly passou mal de forma repentina. Ela foi levada para um hospital em São Félix apresentando sintomas como intensa salivação e hiperglicemia. Apesar do atendimento médico, a criança morreu poucas horas depois. Sem sinais claros de violência, a morte foi tratada inicialmente como natural.

Uma semana depois, em 6 de agosto, a irmã mais nova, Ruteh, também apresentou um quadro súbito de mal-estar. Ela foi socorrida à UPA de Maragogipe, chegou desacordada e não resistiu no mesmo dia. A semelhança entre os sintomas das duas crianças começou a preocupar profissionais de saúde e investigadores.

No dia 13 de agosto, a tragédia se repetiu mais uma vez. Adriane passou mal em casa, apresentando sintomas como excesso de secreção na boca, suor intenso e fraqueza repentina. Ela foi levada à mesma unidade de saúde das filhas, mas também morreu. A sequência de três mortes em intervalos aproximados de sete dias transformou o caso em um dos mais intrigantes da região.

Diante das coincidências, a Polícia Civil passou a investigar a possibilidade de envenenamento. A suspeita ganhou força após familiares relatarem que as vítimas não eram diabéticas, embora medicamentos para a doença tenham sido encontrados na residência. A morte do cachorro dias antes também passou a ser considerada um possível indício.

Os primeiros exames toxicológicos realizados não conseguiram apontar a causa das mortes, o que levou a novas análises e à exumação dos corpos em setembro de 2018. A investigação passou então a ouvir testemunhas e reconstruir os últimos contatos da família.

Nesse contexto, surgiram os nomes de Elisângela Almeida de Oliveira e de seu marido, Valci Boaventura Soares, que teriam se aproximado da família por meio de uma igreja. Segundo depoimentos, Elisângela mantinha convivência frequente com Adriane e demonstrava proximidade incomum com o marido da vítima, Jefferson Eduardo Brandão.

Testemunhas também relataram que Elisângela teria tido participação em alimentos consumidos pelas vítimas pouco antes das mortes, incluindo a oferta de um copo de chocolate ingerido por Adriane antes de falecer.

Em outubro de 2018, o casal foi preso temporariamente durante o avanço das investigações. Posteriormente, Valci foi liberado por falta de provas suficientes. A linha de investigação apontou que Elisângela teria desenvolvido uma relação de forte obsessão por Jefferson, marido de Adriane, e que isso teria motivado os crimes, segundo o inquérito policial.

Jefferson declarou às autoridades que a suspeita tinha comportamento invasivo e afetivo, chegando a custear despesas do casal e pedir para ser tratada como parte da família. Para ele, a motivação estaria ligada ao desejo de Elisângela de ocupar o lugar de sua esposa.

O caso segue lembrado como uma das ocorrências mais marcantes de Maragogipe, marcado por mortes sucessivas, suspeitas de envenenamento e uma investigação complexa que mobilizou a polícia e chocou a comunidade local.


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