Retatrutida: medicamento experimental para emagrecimento entra na mira da fiscalização no Brasil

Brasil – Um medicamento ainda em fase de testes clínicos tem chamado a atenção das autoridades brasileiras. A retatrutida, substância experimental estudada para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, passou a aparecer com frequência em operações de combate ao contrabando na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
Apesar de ainda não ter sido aprovada para comercialização e de não possuir registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substância já é oferecida ilegalmente no mercado como uma alternativa para perda de peso, principalmente na forma de canetas injetáveis.
Durante fiscalizações realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), agentes localizaram carregamentos escondidos em veículos e outros compartimentos utilizados para burlar a fiscalização. Em uma das operações, mais de 30 mil unidades de medicamentos irregulares foram apreendidas.
A Anvisa alerta que qualquer produto comercializado como retatrutida no Brasil é irregular. Segundo a agência, essas versões não passaram pelos processos de avaliação que garantem a segurança, a eficácia e a qualidade dos medicamentos. Além disso, não há como assegurar que o conteúdo corresponda ao informado nas embalagens.
A retatrutida é considerada uma das promessas da indústria farmacêutica por atuar simultaneamente em três receptores hormonais envolvidos no controle do apetite, do metabolismo e dos níveis de glicose. No entanto, especialistas destacam que seu uso deve ocorrer apenas após a conclusão dos estudos clínicos e eventual aprovação dos órgãos reguladores.
As autoridades também reforçam o alerta para os riscos da compra de medicamentos de origem clandestina. Sem controle de fabricação, transporte e armazenamento, esses produtos podem conter substâncias desconhecidas, dosagens incorretas ou até representar sérios riscos à saúde dos consumidores.


