Polícia Civil desarticula grupo ligado ao PCC suspeito de lavar R$ 1 bilhão; entenda o caso

Brasil – A Polícia Civil deflagrou, na última quinta-feira (3), a Operação Helmintos, com o objetivo de desarticular um grupo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), suspeito de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e exercer influência sobre atividades econômicas e políticas em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
As ações foram realizadas em imóveis, empresas e em um setor da administração municipal de Praia Grande, além de endereços localizados em Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba.
Segundo as investigações, o grupo era formado por integrantes da organização criminosa, operadores financeiros, intermediários do setor imobiliário e pessoas utilizadas como “testas de ferro”, que emprestavam o próprio nome para ocultar os verdadeiros responsáveis pelos bens.
A investigação aponta que o esquema teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão, principalmente por meio da aquisição de imóveis de alto padrão, empresas e estabelecimentos comerciais.
Qual era o objetivo da operação?
A Operação Helmintos busca desarticular um grupo suspeito de utilizar atividades econômicas para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e, simultaneamente, ampliar sua influência sobre setores da economia e da política de Praia Grande.
De acordo com a Polícia Civil, foram identificadas quatro principais frentes de atuação, que indicariam uma possível tentativa de ampliar a influência da organização criminosa sobre setores do Executivo e do Legislativo municipal:
- Lavagem de dinheiro por meio de negócios imobiliários;
- Controle de quiosques instalados em áreas públicas de Praia Grande;
- Suspeitas de favorecimento em procedimento licitatório municipal;
- Financiamento ou apoio a agentes políticos eleitos.
O nome da operação faz referência à atuação considerada “parasitária” sobre a economia local, com possível prejuízo à livre concorrência e utilização de atividades comerciais para beneficiar a organização criminosa.
Quem eram os principais alvos?
Quatro homens foram apontados como integrantes do principal núcleo investigado e tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça:

- Anderson Roberto Braghine, conhecido como “Fio”;
- Alexander Miguel da Silva, o “Gordão”;
- Leonildo Marinho de Andrade, conhecido como “Nenê”;
- Ronaldo Yuzo Sekiya, o “Japonês”.
Segundo a investigação, cada um teria uma função diferente dentro da estrutura, que envolvia desde a captação de dinheiro proveniente do tráfico até a movimentação e ocultação dos valores por meio de empresas e imóveis.
A atuação do grupo não se restringiria ao sistema financeiro. Os investigadores também encontraram indícios de que os suspeitos mantinham negócios e relações que poderiam garantir influência sobre atividades econômicas do município.
Quem foi preso?
Fio e Nenê foram presos durante a operação. Os dois moravam no mesmo condomínio, no bairro Guilhermina, em Praia Grande.De acordo com as investigações do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6), eles seriam os principais responsáveis pelo núcleo que teria movimentado valores próximos de R$ 1 bilhão.
Até a publicação da reportagem, não havia sido localizada a defesa dos quatro investigados.
Como funcionava o esquema?
Uma das principais formas de movimentação do dinheiro seria a compra de imóveis de alto padrão. A estratégia permitiria transformar recursos de origem ilícita em patrimônio e dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários dos bens.
Para isso, segundo a investigação, eram utilizadas escrituras particulares, cadeias de procurações e pessoas que emprestavam o próprio nome. Esses intermediários são conhecidos como “testas de ferro” e ajudariam a esconder a relação entre os bens e os integrantes do grupo.
O esquema também envolveria pelo menos quatro quiosques instalados em áreas públicas de Praia Grande. Empresas que atuavam como choperias, bares e restaurantes seriam utilizadas para movimentar os recursos e inseri-los na economia formal. A atuação nesses estabelecimentos teria proporcionado ao grupo uma forma de movimentar dinheiro, além de garantir presença em atividades econômicas exploradas em áreas públicas da cidade.
Qual seria a função de cada suspeito?
Apesar de integrarem a mesma estrutura, os quatro principais alvos teriam funções diferentes, conforme apontado pela investigação:
- Anderson Roberto Braghine, o Fio: apontado como chefe da organização criminosa, seria responsável por comandar a captação de valores provenientes do tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro por meio de empresas e imóveis;
- Alexander Miguel da Silva, o Gordão: apontado como um dos principais integrantes da organização, seria responsável por captar valores provenientes da venda de drogas em larga escala junto a integrantes do PCC, utilizando uma empresa “fantasma” e imóveis por procuração;
- Leonildo Marinho de Andrade, o Nenê: apontado como principal operador financeiro, seria responsável por introduzir dinheiro em espécie no sistema financeiro, prática chamada de “capitalização”, e redistribuí-lo às chefias;
- Ronaldo Yuzo Sekiya, o Japonês: apontado como “homem de confiança” da organização, atuaria como operador financeiro ligado diretamente a Alexander.
Quem são os outros investigados?
Além dos quatro alvos dos mandados de prisão, a investigação do Deinter 6 apontou a participação de outras seis pessoas , cinco mulheres e um homem que também são investigadas por possível atuação na quadrilha.
Uma das suspeitas é sócia de um quiosque em Praia Grande. Ela teria declarado renda de R$ 3,3 mil, mas movimentado R$ 51,2 milhões. Segundo a investigação, ela é esposa de um dos chefes da organização e estaria fora do Brasil.
Outras duas mulheres também seriam esposas de integrantes do esquema, enquanto uma delas seria ex-companheira de um dos investigados.O núcleo investigado também envolve pessoas jurídicas, como quiosques e empresas que teriam sido utilizadas como instrumentos para integrar os recursos à economia formal.
O que foi apreendido?
Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu dinheiro em espécie, celulares, joias, veículos e caminhões, além de documentos e escrituras relacionados aos imóveis investigados.
Durante coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (3), o delegado Bruno Lázaro, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE), informou que também foram encontrados ouro e outros bens, que serão analisados no decorrer das investigações. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de 30 imóveis ligados aos investigados.
O que diz a Prefeitura de Praia Grande?
Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que não houve cumprimento de mandado de busca e apreensão nas dependências da administração municipal.
“Um agente da Polícia Civil esteve na Prefeitura solicitando informações acerca de uma licitação específica para exploração de um único quiosque situado na orla”, informou a administração municipal.
Ainda segundo a prefeitura, o município permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todas as informações necessárias.
Com informações de: G1.com

