Piloto de avião que caiu no Pará construiu aeronave com motor de carro: “muito seguro”; veja vídeo

Brasil – Um sonho de infância construído peça por peça. O avião de pequeno porte que caiu na zona rural de Benevides, na Região Metropolitana de Belém (PA), tinha uma história peculiar: foi quase totalmente fabricado pelo próprio piloto, Altevir Edson de Alencar, de 72 anos. Adaptado com um motor de carro, o monomotor experimental era considerado pelo idoso como uma realização pessoal e uma máquina de voo “muito segura”.
Resumo do Caso
- A Aeronave: Monomotor experimental (matrícula PU-BDZ), construído 90% pelo próprio piloto utilizando um motor de um veículo Honda Fit.
- O Acidente: A queda aconteceu na sexta-feira (15) em uma área de mata em Benevides, supostamente provocada pelo choque com um urubu.
- A Sobrevivência: Altevir sobreviveu à queda, tentou buscar ajuda, mas se perdeu na mata, sendo resgatado com vida no sábado (16) após quase 30 horas desaparecido.
- O Histórico: Em vídeo gravado dias antes do acidente, o piloto exaltava a segurança e a regularização do avião.
O Sonho de Voar e o Motor de Honda Fit
A paixão pelos ares sempre acompanhou Altevir. Em um vídeo publicado nas redes sociais por sua filha, Daniela, no dia 7 de maio — pouco mais de uma semana antes do acidente —, o idoso compartilhou a jornada até a cabine de comando de seu próprio avião.
Sem recursos financeiros para adquirir uma aeronave convencional, ele não desistiu do céu. Primeiro, tornou-se paraquedista em Boituva (SP), esporte que pratica até hoje. Depois, decidiu colocar a mão na massa.
“Como eu não tinha condições de comprar um avião, eu comprei o material e fabriquei noventa por cento desse aqui”, relatou Altevir nas imagens.
A criatividade do piloto chamou a atenção: o “coração” da aeronave era o motor de um carro modelo Honda Fit. Apesar da natureza artesanal do projeto, Altevir garantiu no vídeo que a aeronave, que levava a inscrição “Experimental” na fuselagem, operava dentro das normas legais. “Hoje, ele está pronto, documentado, homologado. Eu vou para qualquer canto com ele. Um avião muito seguro”, declarou na ocasião.
No mesmo registro, o piloto descreveu um voo recente feito com a filha sobre as regiões de Santa Izabel do Pará e da ilha de Mosqueiro, destacando a ausência de vibrações e ruídos excessivos. “Está todo perfeito. É um sonho realizado. Hoje estou com 72 anos e faz 15 anos que eu realizei esse sonho”, comemorou.
A Queda e as 30 Horas de Tensão
A confiança na máquina foi testada de forma abrupta na manhã da última sexta-feira (15). Enquanto sobrevoava uma área rural pertencente a uma fazenda da empresa Polimix, em Benevides, o monomotor de Altevir sofreu uma queda. Segundo relatos do próprio piloto aos socorristas, o acidente teria sido causado por uma fatalidade imprevisível: a colisão com um urubu em pleno voo.
Apesar do impacto na área de mata fechada, Altevir escapou com vida. O instinto de sobrevivência fez com que ele deixasse os destroços e caminhasse em busca de socorro. No entanto, a desorientação na floresta transformou a situação em um drama que durou cerca de 30 horas.
Uma força-tarefa foi montada, mobilizando familiares, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Pará. O alívio só veio na manhã de sábado (16), quando as equipes de busca localizaram o idoso com vida na mata.
Investigação em Andamento
As circunstâncias exatas que levaram o avião construído por Altevir ao chão agora são alvo de apuração oficial. A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que investigadores do Primeiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa I), órgão regional do Cenipa sediado em Belém, foram acionados ainda na sexta-feira para analisar os destroços, coletar dados e determinar as causas oficiais da queda do monomotor.








