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“Mãe, leia por favor”: menina de 10 anos denuncia abusos do padrasto em carta e caso é investigado; veja o documento

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“Mãe, leia por favor”: menina de 10 anos denuncia abusos do padrasto em carta e caso é investigado; veja o documento

Brasil – Uma carta escrita à mão por uma menina de apenas 10 anos virou o ponto de partida de uma grave investigação na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. No texto entregue à própria mãe, a criança relatou que estaria sendo vítima de abusos sexuais supostamente praticados pelo padrasto.

Segundo o relato, os episódios teriam começado quando ela tinha oito anos. A menina também explicou por que permaneceu em silêncio por tanto tempo: dizia perceber que a mãe estava feliz no relacionamento e tinha medo de causar sofrimento ao revelar o que estaria acontecendo.

A carta traz pedidos para que a mãe lesse com atenção e termina com uma declaração de carinho. O conteúdo deixou a família em choque.

Transcrição da carta

“Mãe Eu preciso falar um casso o […] me ABOSA dos dos meu 8 anos Eu quero falar isso é porque Eu To CASADA disso.
Eu não Te falei antes por que Eu achavo que voch era um carau feliz e mais Eu To vendo que não estão mais feliz ele To deixado triste poriso Eu quero Te falar isso em formato de CARTA.
LEIA
PROFAVO
MÃE TE AMO”
Após a leitura da carta o caso se torna ainda mais sensível e chocante. A criança preferiu escrever uma carta a falar pessoalmente com a mãe sobre o assunto. Um grito de socorro encoberto por vergunha! Uma vergonha que jamais deveria ser sua e sim do ser humano inescrupuloso que tirou dessa menina, a possibilidade de uma infância leve e saudável.

Mãe instalou gravação dentro de casa

Após ouvir a filha, a mãe decidiu instalar um equipamento de gravação na residência para tentar descobrir o que acontecia quando não estava por perto.

De acordo com as informações do caso, o áudio obtido teria reforçado as denúncias feitas pela criança.

Um dia depois do último episódio relatado, o suspeito foi levado à delegacia, prestou depoimento e acabou liberado.

A ocorrência passou a ser investigada pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Luzia, que instaurou inquérito e solicitou uma medida protetiva para a menina.

Suspeito deixou a residência

Depois que a denúncia veio à tona, o homem não retornou mais à casa da família e deixou de atender às ligações da companheira.

Sem condições de arcar sozinha com o aluguel, a mãe precisou deixar o imóvel junto com a filha. Em depoimento, ela demonstrou revolta com a liberação do investigado e cobrou uma resposta mais rápida das autoridades.

A Polícia Civil de Minas Gerais mantém as diligências para esclarecer os fatos e concluir o inquérito. O homem permanece em liberdade e as acusações ainda estão sob investigação.

O caso expõe, mais uma vez, uma realidade dolorosa: muitas crianças demoram a contar o que sofreram por medo, culpa ou receio de destruir relações familiares. Desta vez, uma folha de papel foi a forma que uma menina encontrou para pedir ajuda.

Casos de suspeita de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma sigilosa pelo Disque 100.


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