Fique atento! PCC e CV exploram brechas em programas federais para aplicar golpes e desviar Pix, aponta TCU

Brasil – Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma ampla rede de anúncios e páginas falsas que utilizava a identidade visual de programas do Governo Federal para aplicar golpes pela internet. Segundo o levantamento, parte das fraudes estaria relacionada a estruturas criminosas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
Os criminosos reproduziam sites, logotipos, cores e materiais semelhantes aos utilizados por órgãos públicos e instituições financeiras. O objetivo era convencer as vítimas de que estavam acessando plataformas oficiais para renegociar dívidas, comprar passagens aéreas ou consultar valores supostamente disponíveis para saque.
Entre os serviços utilizados como isca estavam o Desenrola Brasil, criado para a renegociação de dívidas, e o Voa Brasil, destinado à venda de passagens aéreas por preços reduzidos para determinados públicos.
Mais de 1,7 mil anúncios fraudulentos
Durante o período analisado, entre os dias 10 e 21 de janeiro de 2025, os auditores identificaram 1.770 anúncios fraudulentos circulando nas plataformas digitais. As publicações eram direcionadas principalmente a aposentados, pessoas endividadas e famílias de baixa renda.

Em aproximadamente 83% dos anúncios examinados, os golpistas utilizavam símbolos oficiais, peças semelhantes às de bancos públicos e elementos visuais associados ao Governo Federal. A estratégia dava uma aparência de credibilidade às ofertas e dificultava a identificação da fraude pelas vítimas.
Alguns materiais também teriam sido produzidos com recursos de inteligência artificial. Imagens e vozes de autoridades eram manipuladas para simular propagandas verdadeiras e divulgar benefícios ou oportunidades inexistentes.
Pagamentos eram solicitados por Pix
Ao acessar os links, os usuários eram direcionados para páginas falsas nas quais precisavam fornecer informações pessoais, dados bancários ou realizar pagamentos por Pix.

No golpe envolvendo o Desenrola Brasil, os criminosos prometiam condições especiais para quitar dívidas e retirar restrições do nome da vítima. Para concluir a falsa negociação, eram cobradas taxas ou parcelas que acabavam sendo transferidas para contas controladas pelos golpistas.
Já nas fraudes relacionadas ao Voa Brasil, os anúncios ofereciam falsas consultas de elegibilidade e passagens aéreas inexistentes. Aposentados estavam entre os principais alvos da estratégia.
Os dados entregues nas plataformas fraudulentas também poderiam ser utilizados posteriormente em clonagem de cartões, invasão de contas, golpes pelo WhatsApp e outras práticas criminosas.
População deve redobrar a atenção
A auditoria reforça a necessidade de ampliar o controle sobre anúncios patrocinados e páginas que reproduzem a identidade de órgãos públicos. A facilidade de criação e divulgação desses conteúdos permite que os criminosos alcancem milhares de usuários em pouco tempo.
Para evitar prejuízos, a população deve desconfiar de ofertas que exijam pagamentos imediatos, prometam benefícios com facilidade ou utilizem mensagens de urgência. Antes de informar dados ou realizar qualquer transferência, o cidadão deve confirmar se o endereço eletrônico pertence realmente ao Governo Federal ou à instituição responsável pelo serviço.
Programas públicos devem ser consultados exclusivamente pelos canais oficiais. Links recebidos por mensagens, anúncios em redes sociais ou páginas desconhecidas não devem ser acessados sem uma verificação prévia.

