Defensoria pede que emissoras paguem R$ 1 milhão a mãe que teve filhos mortos pelo ex-marido após linchamento virtual
Brasil – A Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação judicial para responsabilizar veículos de comunicação por publicações e comentários considerados ofensivos contra Sarah Araújo, mãe das duas crianças assassinadas pelo próprio pai em Itumbiara. A ação pede a retirada do conteúdo, retratação pública e o pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos.
O processo foi proposto pelo Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher (Nudem) e tramita na 31ª Vara Cível de Goiânia. Segundo a Defensoria, reportagens e postagens teriam ampliado a exposição da vítima ao divulgar imagens de cunho pessoal, incluindo um vídeo em que Sarah aparece beijando outro homem.
De acordo com a instituição, o material foi utilizado para deslocar o foco da brutalidade do crime para a conduta moral da mãe, gerando ataques, julgamentos e discursos de ódio nas redes sociais. A Defensoria sustenta que Sarah já não mantinha relacionamento com o ex-marido, Thales Machado, no momento dos fatos, e que o vídeo teria sido gravado após ele contratar um detetive para segui-la.
“A atuação busca frear a revitimização dessa mãe, que passou a ser alvo de ataques e julgamentos morais após a morte dos filhos”, informou a Defensoria. O órgão afirma que os conteúdos permaneceram no ar sem moderação adequada mesmo após a repercussão negativa.
Entre os veículos citados na ação estão CNN Brasil, Record TV, SBT, Metrópoles, além de Diário da Manhã, G1, Mais Goiás Notícias, Televisão Anhanguera, TV Serra Dourada e Jornal Opção.
A TV Globo informou que não foi notificada e que o vídeo em questão não foi exibido em suas plataformas. Os demais veículos foram procurados, mas não haviam se manifestado até a publicação.
A Defensoria atua no caso como custos vulnerabilis, instrumento jurídico que permite a intervenção para proteger interesses coletivos de pessoas em situação de vulnerabilidade. O pedido de indenização, caso acolhido, deverá ser revertido a um fundo público gerido por conselho federal ou estadual.
O caso ganhou repercussão nacional após o pai das crianças matar os dois filhos e, em seguida, tirar a própria vida. Após o crime, Sarah passou a sofrer ataques virtuais e chegou a ser hostilizada durante o enterro das crianças, precisando de escolta policial. Para a Defensoria, a exposição midiática e a ausência de controle sobre comentários contribuíram para o agravamento da situação.


