Conselho Federal de Medicina fiscaliza navio chinês que oferece “atendimento grátis” de saúde no RJ; veja vídeo
Brasil – O navio-hospital chinês Silk Road Ark (Arca da Rota da Seda), atracado no Píer Mauá desde o início da semana como parte da missão “Harmony Mission 2025”, tornou-se alvo de intensa fiscalização por parte do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). A polêmica gira em torno de denúncias de que profissionais médicos chineses teriam realizado atendimentos diretos a cidadãos brasileiros sem a devida autorização legal dos conselhos de classe.
A missão, promovida pela Marinha do Exército de Libertação Popular da China, previa intercâmbio técnico com a Marinha do Brasil, demonstrações de medicina tradicional chinesa e dias de navio aberto para visitação pública. No entanto, relatos circulando em redes sociais levantaram suspeita de que consultas e procedimentos médicos teriam sido oferecidos à população em geral — prática que, segundo a legislação brasileira, exige registro profissional no Conselho Regional de Medicina e autorização expressa para atuação em território nacional.
Veja vídeo:
O conselheiro federal e integrante do CREMERJ, Dr. Raphael Câmara, esteve pessoalmente no Porto do Rio de Janeiro na tarde desta terça-feira (14) para realizar fiscalização in loco. Em declaração gravada no local, o médico relatou as dificuldades enfrentadas:
“Estamos aqui após diversas denúncias de que um navio militar chinês estaria fazendo atendimento de pessoas no Brasil, o que é proibido sem autorização. A resolução do CFM é clara: qualquer médico estrangeiro que atenda a população brasileira precisa de registro e autorização do CRM.
“Viéramos avaliar pessoalmente, mas não fomos autorizados a entrar no navio. É território estrangeiro, não temos como obrigar a entrada. Conversamos com algumas pessoas no entorno e os relatos são completamente divergentes: uns dizem que houve sim atendimento a populares, outros afirmam que não aconteceu.”
Dr. Raphael Câmara ainda destacou um episódio de tensão diplomática:
“Tentamos falar com o vice-cônsul da China presente no local, mas ele se recusou a dialogar conosco. Chegou a ser um pouco hostil.”
O caso ganhou força após denúncia formal apresentada pelo médico Dr. Francisco Cardoso, que elogiou a agilidade do CREMERJ:
“Queria parabenizar o CREMERJ. Fiz a denúncia ontem sobre essa história do navio chinês vindo fazer atendimento médico no Brasil. O conselho respondeu com rapidez e destacou o próprio conselheiro federal, Dr. Raphael Câmara, que foi hoje fazer inspeção in loco.”
O CREMERJ já notificou a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) cobrando explicações formais em até 72 horas sobre a existência ou não de autorização para atividades assistenciais. O conselho também prepara ofício à Marinha do Brasil solicitando esclarecimentos sobre os termos do acordo bilateral que permitiu a atracação e as atividades do navio.
Até o fechamento desta matéria, fontes oficiais chinesas e da Embaixada da China no Brasil mantêm a versão de que a missão se limitou a intercâmbio técnico-militar, treinamentos conjuntos e demonstrações culturais de medicina tradicional chinesa, sem qualquer atendimento assistencial aberto ao público geral. A embarcação deve permanecer no Rio até quinta-feira (16).
O episódio reacende o debate sobre soberania sanitária, reciprocidade em missões humanitárias internacionais e a obrigatoriedade de cumprimento da legislação brasileira por profissionais estrangeiros — mesmo em contexto diplomático ou de “ajuda humanitária”.
O CREMERJ reforça que não se opõe à vinda de médicos estrangeiros ao país, desde que respeitados os trâmites legais.
“Estamos aqui para defender a medicina brasileira e a excelência dos médicos brasileiros. Qualquer profissional de fora é bem-vindo, mas tem que seguir os ritos legais”, concluiu Dr. Raphael Câmara.
A apuração segue em andamento e novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias.


